Pesquisa aponta que a maioria das famílias seguia endividada em julho, marcando o maior índice em seis meses. Em contrapartida, a inadimplência recuou levemente, ficando em 29,8%.
Em julho, a proporção de famílias com dívidas, sejam elas em atraso ou não, chegou a 82%, marcando o maior índice já registrado por seis meses consecutivos. Em junho, esse número estava em 81,6%, enquanto que no mesmo mês do ano anterior, em julho de 2025, era de 78,5%.
No entanto, a porcentagem de famílias com dívidas atrasadas, conhecida como inadimplência, apresentou uma leve queda, alcançando 29,8% em julho. No mês anterior, a taxa era de 29,9%, e há um ano, em julho de 2025, estava em 30%.
“A dívida não é necessariamente um comportamento financeiro negativo, já que pode ser uma forma de direcionar recursos para o consumo, o que beneficia a economia em geral,” destacou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Os dados são oriundos da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que foi divulgada hoje pela CNC. O estudo considerou 18 mil famílias de todo o Brasil e levou em conta dívidas como cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheques pré-datados e prestações de veículos e imóveis.
A pesquisa revelou que, em média, as famílias têm 29,5% do orçamento comprometido com dívidas, sendo que o tempo médio de comprometimento é de 7,2 meses, ligeiramente acima dos 7,1 meses registrados um ano atrás.
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, afetando 85,3% das famílias endividadas. Os dados específicos sobre as dívidas são os seguintes:
- Cartão de crédito: 85,3%
- Carnês: 16,1%
- Crédito pessoal: 13%
- Financiamento de casa: 9,6%
- Financiamento de carro: 9%
- Crédito consignado: 7,1%
- Cheque especial: 3,4%
- Outras dívidas: 2,5%
- Cheque pré-datado: 0,2%
O levantamento também evidenciou que o endividamento é mais significativo entre as famílias de renda mais baixa, com 84,9% dos lares que recebem até três salários mínimos apresentando dívidas. Para as famílias com renda superior a dez salários mínimos, essa proporção diminui para 72%. Em termos de inadimplência, 38,5% das famílias mais pobres enfrentam essa situação, enquanto que apenas 15,1% das famílias mais abastadas estão inadimplentes.
Essas informações foram divulgadas no dia posterior à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciou a redução da taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. A redução da taxa é vista como um passo importante para melhorar as condições de crédito, embora os efeitos não sejam imediatos.
“A continuidade do processo de redução dos juros pode ajudar a aliviar o orçamento doméstico e reduzir a pressão financeira, especialmente sobre as famílias de menor renda,” afirmou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
A CNC projeta que o indicador de endividamento das famílias continuará em alta, podendo atingir 82,6% em setembro, acompanhando a mesma tendência para a inadimplência, que pode chegar a 30,3% no mesmo mês.
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