A Secretaria de Estado da Saúde (SES), em colaboração com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), realiza, nesta quinta-feira, 11, uma capacitação focada em morte encefálica. O treinamento é voltado para as equipes hospitalares de doação para transplantes (e-DOTs) de Sergipe, que são compostas por profissionais que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na rede de saúde privada. A Central Estadual de Transplantes (CET), a Organização de Procura de Órgãos (OPO) e o Banco de Olhos de Sergipe (Bose) organizam o evento, que tem como objetivo fortalecer as e-DOTs e, assim, aumentar o número de doações e transplantes de órgãos no estado. O curso seguirá até esta sexta-feira, 12.
As e-DOTs desempenham um papel fundamental nos processos de doação de órgãos. Essas equipes atuam em hospitais que possuem UTIs, sendo responsáveis pela detecção e diagnóstico de pacientes com morte encefálica, que são classificados como potenciais doadores de múltiplos órgãos (PDMOs). Além disso, os profissionais que compõem as e-DOTs têm a importante função de acolher e dialogar com os familiares dos possíveis doadores sobre a doação de órgãos, explicando o processo e desmistificando a temática.
No Brasil, a doação de órgãos ocorre exclusivamente com a autorização familiar. Portanto, é essencial que as equipes de saúde estejam bem preparadas para lidar com os familiares dos potenciais doadores. Quanto mais capacitados forem os profissionais, maior será a aceitação para a doação de órgãos e, por consequência, o número de transplantes também aumentará.
“Quando identificamos um caso de morte encefálica, abrimos um protocolo, fazemos a manutenção do paciente, realizamos exames clínicos e conversamos com a família. Após o protocolo ser fechado e termos a autorização familiar para doação de órgãos, a captação é realizada, possibilitando também a execução do transplante”, explicou Darcyana Lisboa, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE).
A enfermeira Natany Fernandes, da e-DOT do Hospital Primavera, destacou a importância da capacitação: “Essa capacitação aprimora os nossos conhecimentos para que possamos abordar as famílias dos potenciais doadores com mais qualidade e empatia, obtendo um resultado positivo tanto para a família, que tem esse desejo de ajudar a salvar outras vidas, como para os receptores.”
Um dos temas centrais abordados durante a capacitação foi a portaria GM/MS nº 8.249, de 3 de novembro de 2025, que institui o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot) e o Incentivo Financeiro de Qualificação em Doação e Transplantes (IFQ-DOT). Essa nova legislação visa ampliar a identificação de potenciais doadores, reduzir perdas no processo de doação e fortalecer a atuação das equipes hospitalares de doação para transplantes (e-DOTs).
“Essa portaria valoriza o profissional de saúde, uma vez que traz incremento financeiro, dando um estímulo a mais para essas equipes. Com isso, queremos melhorar a oferta de órgãos e tecidos aqui, em Sergipe, e que os hospitais participem efetivamente dos processos de doação de órgãos”, afirmou Benito Fernandez, coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE).
A doação de órgãos e tecidos é um processo que depende da autorização da família, mesmo que o desejo do doador tenha sido manifestado em vida. O protocolo se inicia com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, que são acompanhados pela Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE). Após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica, a família é consultada sobre a doação. Com a autorização do cônjuge ou de parentes até o segundo grau, a captação é realizada e os órgãos são disponibilizados pela Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE) aos pacientes compatíveis, conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes e sob supervisão do Ministério Público.
Até o momento, dados da CET/SE indicam que, de janeiro de 2026 até agora, Sergipe contabilizou 27 doadores, com a captação de três corações, 36 rins e 17 fígados.






Fonte: Saúde – Sergipe
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
