Uma escola rural paulista foi premiada por transformar quintais em salas de aula vivas. O projeto resgatou memórias e fortaleceu laços entre famílias e comunidade.
A Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, localizada em Itararé, no interior paulista, foi premiada com o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza, no ano passado, em reconhecimento ao seu projeto intitulado “Salas Abertas: Reconectar com a Natureza”. Esta iniciativa teve como objetivo transformar quintais e áreas verdes em espaços de aprendizagem, promovendo o resgate de memórias, a valorização de saberes que atravessam gerações e o fortalecimento dos vínculos comunitários.
O projeto permitiu que a educação se expandisse além das salas de aula, diversificando os locais de aprendizado e integrando tradições locais no processo educativo. A professora Dynná Ferraz, que atua na escola, destacou a importância de conectar os alunos com os saberes tradicionais e a história da comunidade. “Dona Eusa sempre teve em sua vida a prática da semente crioula e compartilhou com a escola esse conhecimento ancestral”, afirmou a educadora.
“A escola abraçou esse conhecimento, que é um dos importantes caminhos para mudar a forma de produzir alimentos, já que a segurança alimentar é um problema local e global que motiva esse projeto”, explicou Dynná.
Uma das inovações do projeto foi a criação do Berçário das Plantas, que inclui uma horta, um pomar e uma casa de sementes, utilizando técnicas da comunidade quilombola local. Além disso, a parceria com os moradores da Comunidade Quilombola Fazenda Silvério resultou na construção de uma casa barreada, que agora abriga a Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira. A presença de Dona Eusa, agora aposentada, continua a ser uma inspiração para os alunos, que interagem com o conhecimento que ela traz.
Os alunos têm a oportunidade de aprender de maneira prática, plantando e colhendo alimentos, enquanto se divertem em atividades lúdicas que envolvem a natureza, como brincar com sementes e cozinhar em um fogão a lenha. Além do Berçário das Plantas, o projeto também criou o Canto da Calma, um espaço de leitura e regulação emocional, que estimula as crianças a se conectarem com a natureza enquanto se dedicam à leitura.
“As crianças pegam um livro, descem por um escorregador de madeira e vão para o redário. A área já era gramada e ficava livre, mas antes não tinha muito aproveitamento”, explicou Dynná.
As aulas se tornaram mais dinâmicas e atraentes, incentivando os professores a realizarem atividades ao ar livre. A proposta do projeto não apenas proporcionou um aprendizado mais sensível, mas também permitiu que a equipe escolar implementasse melhorias significativas nos espaços naturais da escola, segundo a professora.
A nova edição do Prêmio Escolas Baseadas na Natureza está com inscrições abertas até 29 de junho, com o intuito de apoiar iniciativas semelhantes em escolas públicas municipais. Serão contempladas cinco escolas com R$ 100 mil cada, além de acompanhamento técnico nas áreas de arquitetura e educação. Este prêmio é promovido pelo Instituto Motiva, em parceria com o Instituto Alana e o Instituto Crescer, visando sempre a formação de educadores que valorizem a natureza como elemento central do aprendizado.
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