Rayane, professora e mãe solo de Sergipe, enfrentava crises diárias com o filho autista. Um projeto inovador trouxe alívio e nova perspectiva para sua família.
No dia 20 de junho de 2026, a professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, compartilhou sua experiência com o tratamento de seu filho neurodivergente, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Como mãe solo, Rayane enfrentou desafios significativos, lidando com crises de agitação e agressividade de seu filho, enquanto também cuidava de outro filho e mantinha seu emprego. Essa intensa rotina a levou a um quadro de ansiedade generalizada e problemas de sono.
“Eu sou a única que cuida dele. A rotina pesada de mãe atípica me levou a um quadro de ansiedade generalizada e problemas com sono”, contou Rayane.
Em março de 2026, o filho de Rayane iniciou um tratamento à base de canabidiol (CBD), um composto natural extraído da cannabis, com resultados positivos. O tratamento foi possibilitado pelo Projeto Noronha, uma colaboração entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha.
Nos meses de fevereiro e maio, o projeto realizou dois mutirões que ofereceram consultas médicas gratuitas e distribuíram óleos de canabidiol. A iniciativa agora está em processo de construção de uma sede, que permitirá um acompanhamento mais integral para famílias neuroatípicas na ilha.
“A maior parte dos mutirões de saúde realizados no Brasil acontece uma única vez. A equipe atende a população e depois vai embora. Em Noronha, estamos construindo algo diferente”, afirmou Alexandre Assis, diretor da Abecmed.
Além de focar nas crianças, o projeto também se preocupa com as mães, que frequentemente assumem sozinhas o cuidado. A presidente da AMA-FN, Rebeca Allen, mãe de uma criança com TDAH, relatou como a sobrecarga afetou sua saúde mental.
“Eu comecei a sentir os sinais em torno de 2023, quando estava em busca de ajuda para o meu filho. Comecei a esquecer das coisas, ter falta de ar e pontadas no coração”, disse Rebeca.
Após iniciar o tratamento com canabidiol, Rebeca notou melhorias em sua ansiedade e qualidade do sono, assim como em seu filho, que apresentou redução nas crises e maior colaboração nas atividades. O projeto também busca abordar questões de saúde pública na ilha, onde o acesso à saúde é limitado, com uma única unidade médica disponível.
O relatório do último mutirão revelou que a maioria dos atendimentos foi relacionada à saúde mental, com 70,6% dos pacientes buscando suporte para questões ligadas à ansiedade, insônia e outras condições. Assim, o Projeto Noronha não apenas oferece tratamento, mas também uma rede de apoio fundamental para as famílias enfrentarem os desafios diários.
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