No dia 24 de junho, é celebrado o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, uma data importante criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que visa conscientizar a população sobre os riscos de quedas, especialmente entre os idosos. Este ano, um dado alarmante foi divulgado: o número de pessoas transferidas para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) após quedas aumentou quase 50% de janeiro a maio, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Ao todo, 258 pessoas foram atendidas, representando mais da metade dos pacientes de trauma recebidos na unidade.
As quedas são responsáveis por um número significativo de lesões ortopédicas, e o aumento das internações reflete a necessidade de atenção especial para este tipo de acidente. O chefe do Centro de Trauma do Into, Tito Rocha, destaca que o envelhecimento da população é um fator central para essa estatística. Mais de 70% dos pacientes atendidos tinham 60 anos ou mais.
“A falta de equilíbrio, a diminuição da força, a perda da acuidade visual, tudo isso vem com a idade. Nos últimos 20 anos, tivemos um aumento significativo da longevidade. Quando você aumenta o número de pessoas idosas, também aumenta o número de problemas relacionados à idade”, afirma Rocha.
Um dado relevante é que a maioria dos atendimentos ocorreu em decorrência de quedas de própria altura, ou seja, por desequilíbrios durante as atividades diárias. Infelizmente, mesmo quedas simples podem resultar em consequências severas para os idosos. Rocha explica que, enquanto os jovens podem se recuperar rapidamente de uma queda, os idosos, muitas vezes, não conseguem se levantar e acabam sofrendo fraturas que requerem tratamento cirúrgico.
“Um jovem, quando cai de própria altura, geralmente se levanta rapidamente. O idoso, por outro lado, não consegue nem se levantar e, normalmente, acaba fraturando algum osso, o que pode exigir um tratamento cirúrgico ou deixá-lo acamado”, acrescenta.
Além das intervenções cirúrgicas, que são necessárias, também existem riscos associados, como pneumonia ou infecções. A mortalidade relacionada a fraturas em idosos é alta, especialmente nos primeiros 30 dias após a queda, e pode chegar a 20% a 30% em até um ano depois do acidente.
Para prevenir quedas, Rocha recomenda duas medidas essenciais: o cuidado com o corpo, por meio de exercícios físicos regulares que ajudam a manter a força muscular e o tratamento para a osteoporose, e a adaptação do lar, como a instalação de barras de apoio no banheiro, a remoção de tapetes soltos e o uso de calçados antiderrapantes.
“Uma pessoa que já não consegue se levantar sozinha de uma cadeira, se cair e quebrar um osso, terá uma recuperação muito mais difícil, pois já não possuía força óssea e muscular antes”, ressalta.
Rocha também enfatiza que o envelhecimento da população não deve ser visto como um fenômeno negativo. Atualmente, muitas pessoas estão se mantendo ativas por mais tempo. “Chegar aos 90 anos é algo positivo, mas tem um preço. Essas pessoas muitas vezes enfrentam mais comorbidades e fragilidades, além de algum déficit cognitivo”, conclui.
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