A disparidade salarial entre homens e mulheres é menor em entidades sem fins lucrativos do que em empresas e na administração pública. Essa constatação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em um levantamento realizado recentemente.
O estudo revelou que, em 2024, havia 10,6 milhões de empresas e organizações ativas no Brasil, com um salário médio mensal de R$ 3,9 mil, o que equivale a 2,8 salários mínimos da época. Analisando os dados por gênero, os homens recebiam, em média, R$ 4,2 mil, enquanto as mulheres recebiam R$ 3,9 mil. Isso representa uma diferença de 16,6%, com as mulheres ganhando 85,8% do salário dos homens.
Quando os pesquisadores do IBGE separaram os registros por natureza jurídica, constataram que nas entidades sem fins lucrativos, as mulheres recebiam proporcionalmente mais, alcançando 95,3% do salário dos homens. O salário médio das mulheres nessas entidades foi de R$ 3.589,82, enquanto o dos homens foi de R$ 3.768,81.
O estudo também indicou que a disparidade salarial aumenta nas empresas, onde as mulheres recebem apenas 78,1% do salário dos homens, com um salário médio de R$ 2.996,79 em comparação a R$ 3.838,67 dos homens. Na administração pública, a diferença é um pouco menor, com mulheres recebendo 82% do que os homens, apresentando salários de R$ 4.967,51 para mulheres e R$ 6.058,19 para homens.
A pesquisadora Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE, comentou que o tema merece um estudo mais aprofundado para entender melhor as razões por trás desses números. Ela sugeriu que as entidades não governamentais, que atuam principalmente na área de assistência social, podem ter uma preocupação maior com a igualdade salarial em seus quadros.
Além disso, Caroline destacou que as atividades tradicionais, como educação e saúde, que são predominantemente exercidas por mulheres, podem ajudar a explicar a disparidade salarial na administração pública, já que essas funções costumam ter remunerações mais baixas.
Em julho de 2023, a Lei 14.611, conhecida como Lei de Igualdade Salarial, foi sancionada, obrigando os empregadores a pagarem salários iguais a homens e mulheres na mesma função. Apesar da legislação, a diferença de salários ainda persiste devido a fatores como a menor presença feminina em cargos de liderança e as interrupções na carreira relacionadas à maternidade.
O levantamento do IBGE também apontou que, em 2024, os 10,6 milhões de CNPJs ativos empregavam cerca de 68 milhões de pessoas, sendo 54,2 milhões de assalariados e 13,8 milhões de sócios e proprietários. O país contava com 9,5 milhões de empresas, 1,1 milhão de entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições da administração pública. A atual série histórica do estudo começou em 2022 e, em dois anos, o número de empresas e organizações cresceu 12,5%.
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