O Brasil iniciou o processo para a sua primeira emissão de títulos públicos no mercado chinês, denominados em yuan. Esta iniciativa, conhecida como Panda Bonds, busca diversificar as fontes de financiamento da dívida pública e atrair investimentos internacionais voltados para projetos de transformação ecológica e inovação.
Na quinta-feira, dia 25 de junho de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou aos órgãos reguladores do mercado de capitais da China a Carta de Apresentação da República, formalizando o primeiro passo para essa operação. O processo de emissão ainda depende da conclusão de procedimentos legais e operacionais, além das condições do mercado no momento da oferta.
“A operação faz parte da estratégia do Tesouro Nacional de ampliar a presença brasileira nos mercados internacionais e reduzir a dependência de uma única fonte de financiamento”, afirmou o Ministério da Fazenda.
Os Panda Bonds são títulos emitidos no mercado doméstico da China por governos, empresas ou instituições estrangeiras, com remuneração em yuan, a moeda chinesa. Esta operação pode também criar uma referência para empresas brasileiras que desejem captar recursos no exterior.
O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 já prevê a possibilidade de operações em diferentes moedas. O Brasil havia realizado uma emissão internacional em euros em abril e, agora, avalia a entrada no mercado chinês.
Durante a missão oficial à China, o governo brasileiro apresentou oportunidades do Eco Invest Brasil, um programa voltado para a mobilização de capital privado em projetos sustentáveis. A agenda inclui encontros entre investidores, bancos, fundos e empresas sobre finanças verdes, mercado de carbono e inovação tecnológica.
Com a previsão de levantar R$ 50 bilhões em investimentos, o quinto leilão do programa destina-se à criação de fundos de inovação, focando em setores estratégicos. Após a etapa na China, a missão internacional do Eco Invest Brasil seguirá para o Japão e a Coreia do Sul, com o objetivo de aproximar o Brasil de países com forte capacidade tecnológica e financeira.
A Ásia é considerada um centro relevante para indústria, inovação e financiamento de longo prazo, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas no Brasil. O Eco Invest Brasil, que é parte do Plano de Transformação Ecológica, já mobilizou mais de R$ 140 bilhões para projetos sustentáveis em todo o país, com mais de R$ 63 bilhões previstos em captação externa.
As principais áreas de foco do Eco Invest Brasil incluem combustíveis verdes avançados, fertilizantes sustentáveis, minerais críticos, sistemas de baterias, química verde, biomateriais, inteligência artificial aplicada à indústria e descarbonização de processos produtivos.
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