Em junho de 2026, os preços de combustíveis, minerais e do café recuaram, contribuindo para que a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentasse uma deflação de 0,5%. Esse resultado significa que, na média, os preços ficaram mais baratos, marcando a primeira deflação desde fevereiro deste ano.
O IGP-M de junho é uma importante referência conhecida como “inflação do aluguel”, e no mesmo mês do ano anterior, o índice havia registrado uma deflação de -1,67%. Ao longo dos últimos 12 meses, o IGP-M acumula uma alta de 3,16%.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No primeiro semestre de 2026, o indicador apresenta uma variação de 3,27%. A seguir, os números do IGP-M nos meses deste ano:
- Junho: -0,50%
- Maio: 0,84%
- Abril: 2,73%, impactado pela guerra no Oriente Médio
- Março: 0,52%
- Fevereiro: -0,73%
- Janeiro: 0,41%
O resultado do IGP-M de junho ficou abaixo das expectativas do mercado. A sondagem do Banco Central, conhecida como relatório Focus, havia projetado uma inflação de 0,03% para este índice. No entanto, a previsão para o acumulado em 12 meses ao final do ano é de 6,15%.
O economista Matheus Dias, da FGV, explica que os preços das commodities energéticas e minerais estão retornando a patamares anteriores ao conflito no Oriente Médio, que teve início em março deste ano. Ele destaca que as principais safras agrícolas ainda apresentam resultados positivos para 2026, o que resulta em uma maior oferta de produtos e, consequentemente, na queda dos preços de itens como cana-de-açúcar e café.
“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, afirmou Dias.
Para o cálculo do IGP-M, a FGV considera três componentes principais. O mais relevante é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do índice total. Em junho, o IPA apresentou uma deflação de 0,97%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, subiu 0,47% em junho, embora com uma alta menor em comparação ao mês anterior, que foi de 0,61%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou uma variação positiva de 0,85% no mesmo período.
Entre os produtos que mais contribuíram para a deflação, destacam-se:
- Minério de ferro: -2,61%
- Café (em grão): -9,69%
- Óleo diesel: -6,18%
- Farelo de soja: -2,98%
- Cana-de-açúcar: -1,88%
O IGP-M é amplamente utilizado como referência para o reajuste de contratos de aluguel e também para reajustar algumas tarifas públicas, como energia e telefonia. A coleta de preços para a apuração do IGP-M ocorreu entre 21 de maio e 20 de junho em diversas capitais do Brasil, incluindo Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
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