A Petrobras anunciou uma mudança em seu mecanismo de cálculo para definir o preço do gás natural vendido às distribuidoras. Essa nova fórmula foi desenvolvida com o objetivo de mitigar os “aumentos bruscos” decorrentes das oscilações do mercado internacional. Com essa atualização, o próximo reajuste previsto para o dia 1º de agosto deverá ser de 6%, ao contrário dos 22% que eram inicialmente esperados. A estatal ressalta que essa variação de 6% é apenas uma “estimativa”.
O novo método foi aprovado na quarta-feira, dia 24, e a divulgação oficial ocorreu nesta terça-feira, dia 30. Segundo informações da companhia, a fórmula implementada atua como um mecanismo de proteção contra a volatilidade dos preços, criando faixas de valor, ou seja, um piso e um teto, para o preço do barril Brent, que é a referência internacional do petróleo.
Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, o preço do produto é definido em escala internacional, uma vez que se trata de uma commodity. Com a introdução dessa faixa de preços, a Petrobras espera suavizar as altas abruptas ao repassar o produto para as distribuidoras em território nacional.
“A medida reduz temporariamente o impacto da alta dos preços, trazendo mais previsibilidade e evitando aumentos bruscos”, afirmou a estatal em um comunicado à imprensa.
A companhia ainda esclareceu que a adesão das distribuidoras a essa nova forma de precificação será voluntária, mediante a assinatura de um aditivo aos contratos de fornecimento de gás natural. Além disso, a empresa destacou que essa iniciativa reforça seu compromisso com as necessidades dos clientes e confirma sua atuação competitiva no mercado aberto de gás natural.
Vale ressaltar que o preço final do gás natural ao consumidor é influenciado por diversos fatores, incluindo o custo do transporte, a margem de lucro e os tributos. No caso do Gás Natural Veicular (GNV), também há a margem aplicada pelos postos. Ademais, as tarifas ao consumidor precisam ser aprovadas pelas agências reguladoras nos estados.
É importante destacar que essa alteração de precificação não se aplica ao gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de botijão. Desde março, em decorrência da guerra no Oriente Médio, os preços de derivados de petróleo, como o gás, gasolina e óleo diesel, têm enfrentado uma escalada significativa.
Este cenário impacta a cadeia de produção do petróleo, já que a guerra resultou em bloqueios no Estreito de Ormuz, uma importante rota de passagem para cerca de 20% da produção global de óleo e gás. A diminuição na oferta desses produtos tem gerado aumento nos preços.
No Brasil, o governo tem adotado medidas para amenizar esses aumentos para o consumidor final, incluindo a isenção temporária de tributos e subsídios para produtores e importadores de derivados, desde que esses repassem o alívio financeiro ao consumidor.
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