Na última sexta-feira, 3 de julho de 2026, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou a Rádio UFRJ FM, na frequência 88,9 FM, quase 40 anos após ter iniciado suas atividades com um pequeno transmissor. A nova emissora traz uma programação diversificada, que inclui música independente, conteúdos infantojuvenis, divulgação científica, notícias e esportes, além de blocos da Rádio MEC AM, administrada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O professor Marcelo Kischinhevsky, diretor da UFRJ FM e um dos fundadores da antiga Rádio Livre, destacou a importância da nova emissora. Ele recordou que, em junho de 1989, como estudante, participou da criação da rádio que, após três anos, foi renomeada para Rádio Interferência. A emissora operou por duas décadas até ser fechada por questões legais quando ampliou sua potência de transmissão, sendo considerada “pirata”.
“A gente tinha 20 anos quando começamos a montar a rádio, que transmitia do centro acadêmico, com programação gravada em fita cassete”, relembrou Kischinhevsky. Ele também comentou sobre a trajetória de lutas e desafios enfrentados, que culminaram na concessão do canal 88,9 FM, a qual foi estruturada com apoio de emendas parlamentares, superando cortes orçamentários da instituição.
Após conseguir a licença para instalar os transmissores no Morro do Sumaré, as transmissões experimentais começaram neste mês, e a expectativa é alcançar 10 milhões de ouvintes na região do Grande Rio. Desde 2019, a rádio já funcionava apenas na internet como um laboratório de experimentação.
Na quinta-feira, ao ouvir a nova emissora pela primeira vez, Kischinhevsky expressou sua emoção: “Escorreu uma lágrima”, disse ele. “Mas, depois, veio uma onda de alegria.” O docente celebrou a vitória da radiodifusão pública, educativa e universitária, ao lado de colegas que compartilham do mesmo entusiasmo.
A professora Suzy dos Santos, especialista em políticas de comunicação, elogiou a nova rádio por trazer mais pluralidade ao dial carioca. “A radiodifusão comercial é concentrada e muitas vezes manipula informações. A Rádio UFRJ, ao contrário, tem uma importância imensurável para a sociedade democrática e plural”, afirmou.
O estudante de jornalismo Davi Maia, que participou da seleção musical da inauguração, destacou a importância da curadoria diferenciada que a rádio oferece, em contraste com as rádios comerciais. “Abrir a cabeça para a cena independente é difícil em uma rádio comercial, mas aqui temos liberdade para explorar”, comentou.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, reforçou a necessidade de um veículo que conecte a juventude em tempos de desinformação. “Precisamos estar alertas, pois a democracia não é garantida. A juventude deve se engajar”, ressaltou.
Para o ano de 2027, a Rádio UFRJ está promovendo uma seleção de programas por meio de edital, buscando integrar propostas da comunidade acadêmica e da sociedade. A ideia é construir uma rádio que também se dedique à divulgação científica e cultural, além de promover debates relevantes para o estado do Rio de Janeiro. A emissora contará com um Conselho Curador e fará parte da Rede Nacional de Comunicação Pública, que abrange diversas emissoras em todo o país.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
