O governo brasileiro decidiu enviar 48 toneladas de leite em pó para Cuba, como parte de uma ação de ajuda humanitária em meio à grave crise enfrentada pelo país caribenho. Essa decisão foi tomada em decorrência do endurecimento do bloqueio econômico e energético imposto pelos Estados Unidos, que tem agravado as condições socioeconômicas da ilha.
Na segunda-feira (16), foram enviadas 16 toneladas do produto em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) com destino a Santiago de Cuba. Um segundo voo está programado para sair de Porto Alegre nesta terça-feira (14), transportando mais 32 toneladas de leite em pó.
O Palácio do Planalto destacou que a iniciativa visa “contribuir para o enfrentamento da grave situação de desabastecimento vivida pelo país”.
A operação está sendo coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e os dois aviões da FAB deverão chegar a Cuba na quarta-feira (15). A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR) também informou que o Brasil já havia realizado doações humanitárias a Cuba em 2025, como resposta aos impactos do Furacão Melissa.
A Secom ressaltou ainda que novas doações de alimentos e medicamentos estão sendo avaliadas pelo governo brasileiro, demonstrando um compromisso contínuo com a assistência humanitária.
O bloqueio econômico contra Cuba, que se estende por quase 70 anos, foi intensificado pela atual administração dos EUA a partir do final de 2025, especialmente com as novas restrições navais impostas à Venezuela, que era a principal fornecedora de petróleo para a ilha. Em janeiro de 2026, os EUA ampliaram o bloqueio, ameaçando com sanções quem vendesse petróleo para Cuba, o que resultou em três meses sem abastecimento desse recurso essencial.
Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA tem intensificado a pressão sobre Cuba com novas sanções que atingem setores como turismo e mineração, além da estatal do petróleo. Essas medidas têm contribuído para um cenário de apagões recorrentes, aumento nos preços de produtos básicos e uma redução significativa na oferta de transporte público e na cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana têm relatado que este é um dos piores momentos enfrentados pelo país.
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