O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), uma resolução que reconhece como de interesse público a suspensão dos pagamentos das dívidas da Usina Termonuclear Angra 3. Essa decisão é um marco importante para a reestruturação do setor energético no Brasil.
O reconhecimento do CNPE foi motivado por um pedido da Eletronuclear, que solicitou a seus credores, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal, que avaliassem a viabilidade da suspensão dos pagamentos. Essa medida é parte de uma estratégia mais ampla para garantir a continuidade das operações da usina.
“A eventual concessão de qualquer medida dependerá da análise técnica e das decisões das instituições financeiras, observadas as normas aplicáveis”, afirmou o Ministério de Minas e Energia (MME) em nota.
A Eletronuclear é responsável pela construção da terceira usina da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizada em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, onde já estão em operação as usinas Angra 1 e Angra 2. A empresa era uma subsidiária da Eletrobras, companhia estatal que foi privatizada em junho de 2022, e atualmente integra a estrutura da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).
Em outubro de 2025, a ENBPar vendeu o controle da Eletronuclear ao grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por R$ 535 milhões. A resolução do CNPE, embora reconheça o interesse público, não altera os contratos de financiamento vigentes, o que significa que não pode determinar a suspensão dos pagamentos das dívidas.
Após a reunião do CNPE, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comentou com jornalistas que o pedido da Eletronuclear é comum no meio empresarial, sendo denominado acordo de standstill. “O standstill é uma necessidade da companhia de estender o prazo das dívidas que ela tem até que seja decidido aquilo que eu já apresentei ao CNPE, que é a necessidade do término de Angra 3”, explicou Silveira.
O ministro reiterou a importância da conclusão da usina, argumentando que ela é essencial para a estabilidade do sistema elétrico nacional. Ele ressaltou que não faria sentido abandonar a construção após o investimento significativo já realizado em equipamentos e infraestrutura. “Qualquer um vai compreender que é muito mais importante terminar Angra 3 do que enterrar os investimentos já feitos ali”, destacou.
“Com apenas 30% do nosso subsolo mapeado, nós já temos a sétima maior reserva de urânio do planeta. E temos tecnologia para concluir Angra 3 e para fazermos outras usinas nucleares no país”, concluiu o ministro, classificando a matriz nuclear como “fundamental”.
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