O câncer colorretal é uma preocupação crescente no Brasil, e especialistas alertam sobre a importância da detecção precoce dessa doença. Um levantamento recente revelou que, apesar de a população estar ciente de sintomas graves, como a presença de sangue nas fezes e mudanças no funcionamento do intestino por mais de um mês, muitos brasileiros ainda procrastinam a busca por ajuda médica.
O estudo, realizado pelo Hospital A. C. Camargo e pela Nexus, entrevistou mais de 2 mil pessoas e destacou que cerca de 80% dos participantes reconhecem a gravidade desses sinais. No entanto, quase metade dos entrevistados admitiu que não procura assistência médica com a rapidez necessária.
Entre os entrevistados, 9% relataram já ter notado sangue nas fezes. Dentre estes, 59% buscaram atendimento imediato, mas 40% não tomaram essa iniciativa. As reações variaram: 19% não fizeram nada e esperaram que o sintoma passasse, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudaram a alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.
Outro dado alarmante do levantamento é que 67% dos entrevistados nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), que é fundamental para identificar sinais da doença antes que sintomas evidentes apareçam. Apenas 11% afirmaram já ter realizado o exame, e 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram. O desconhecimento é ainda mais acentuado entre os jovens de 16 a 24 anos, alcançando 85%.
O Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, enfatizou a relevância de não ignorar sintomas como sangramento, alterações no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente. Ele recomenda que a realização de exames preventivos seja iniciada a partir dos 45 anos, ou antes, conforme a orientação médica e o histórico familiar. O diagnóstico precoce é crucial, pois está diretamente associado a taxas de cura mais elevadas. Exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, têm um papel vital na detecção da doença em estágios iniciais.
Os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, no triênio de 2026 a 2028, haverá aproximadamente 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil, tornando essa doença o segundo tumor mais comum entre os brasileiros. Recentemente, a cantora Preta Gil perdeu a vida devido a essa enfermidade, após dois anos de tratamento, o que destaca a seriedade do câncer colorretal.
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