O dólar apresentou uma nova queda e encerrou o dia cotado a R$ 5,08, beneficiado pela alta taxa de juros no Brasil e pela valorização do petróleo. A bolsa de valores, por sua vez, registrou a quarta queda consecutiva, pressionada pelas perdas do setor minerador.
No início das negociações, o mercado reagiu positivamente a indícios de uma possível redução das tensões no Oriente Médio. No entanto, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geraram cautela entre os investidores.
“As expectativas de uma melhoria nas relações internacionais foram ofuscadas por novas declarações que aumentam a incerteza”, comentou um analista do mercado financeiro.
De acordo com os dados do dia, o dólar à vista caiu 0,42%, encerrando a jornada a R$ 5,089. No acumulado de julho, a moeda americana apresenta uma desvalorização de 1,42% em relação ao real, enquanto que, em 2026, essa queda é de 7,28%.
Esse movimento reflete a desvalorização do dólar em relação a outras moedas de países emergentes, apesar do aumento da moeda estadunidense em comparação com divisas de economias avançadas. Durante o pregão, o dólar chegou a ser cotado acima de R$ 5,11, mas recuou após a divulgação de propostas de mediadores internacionais para amenizar as tensões entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu a busca global por ativos considerados seguros.
O cenário interno também contribuiu para a valorização do real, uma vez que a diferença elevada de juros entre o Brasil e os Estados Unidos continua a sustentar as operações de carry trade, onde investidores captam recursos em países com juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais elevadas.
A valorização do petróleo também desempenhou um papel importante, pois melhora a perspectiva de entrada de dólares no país por meio das exportações. Na terceira semana de julho, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 526,3 milhões, com um crescimento de 6,7% nas exportações acumuladas no mês, impulsionadas pela indústria extrativa.
Em relação à bolsa, o Ibovespa encerrou o dia com uma baixa de 0,20%, alcançando 173.371,35 pontos, o que representa a quarta sessão consecutiva de perdas. O índice chegou a ultrapassar os 174 mil pontos pela manhã, impulsionado pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, mas perdeu força ao longo do dia após novas declarações de Trump que aumentaram a cautela nos mercados.
A alta das ações da Petrobras, favorecida pela valorização do petróleo, não foi suficiente para contrabalançar a queda das ações de mineradoras, que enfrentaram perdas significativas ao longo da jornada.
Os contratos internacionais de petróleo também fecharam em alta, refletindo as incertezas sobre o conflito no Oriente Médio. O petróleo Brent, referência para a Petrobras, avançou 1,27%, atingindo US$ 89,22 o barril, enquanto o WTI, do Texas, subiu 0,85% e encerrou o dia a US$ 82,48 por barril.
Embora os preços do petróleo tenham perdido parte dos ganhos após o governo iraniano confirmar que recebeu propostas de mediadores, o mercado continuou atento às novas ameaças de Donald Trump em resposta a ataques contra militares americanos, bem como às restrições ao tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz.
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