Hoje, 22 de julho de 2026, começou a vigorar a tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Essa medida impacta cerca de 20% das exportações do Brasil para o país norte-americano.
Estima-se que o valor total das exportações afetadas varie entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões, de acordo com cálculos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
Entre os 2,3 mil produtos que enfrentam essa nova tarifa, a maioria pertence aos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. A boa notícia é que aproximadamente 700 produtos estão isentos da tarifa, um número superior aos 615 previstos nas negociações anteriores.
O governo brasileiro destaca que o mercado dos Estados Unidos é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos, representando cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.
Os estados de São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC) representam 52% do impacto total do tarifaço. O estado de São Paulo, considerado o mais forte economicamente do Brasil, concentra sozinho 41,6% do valor total das exportações afetadas. Santa Catarina, no entanto, enfrenta uma situação mais crítica, com 68% de suas exportações para os EUA atingidas pela nova tarifa, conforme dados da Apex-Brasil.
A imposição da tarifa pelo governo Trump baseia-se em um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Esse escritório alega práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil, elencando seis temas que influenciaram a decisão sobre a taxação, incluindo pagamentos eletrônicos, desmatamento ilegal e proteção da propriedade intelectual.
Em resposta, o governo brasileiro refutou as justificativas apresentadas, argumentando que as motivações para a taxação são políticas e não refletem a realidade. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os negociadores dos EUA exigiam a abertura total de mercados sem oferecer contrapartidas.
Para enfrentar os efeitos do tarifaço, o governo brasileiro anunciou a retomada de um programa de apoio aos setores impactados, que incluirá linha de crédito para capital de giro e investimentos, além de suporte para escoamento de produtos para outros mercados. A Apex-Brasil também planeja divulgar, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações brasileiras, focando em novos mercados na União Europeia e na região da ASEAN, além de países da Ásia Central.
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