Um memorando firmado na 26ª Conferência Internacional da Aids autoriza Fiocruz e MSD a produzirem no Brasil o antirretroviral Alimatravir (MK-8527). O medicamento é classificado como PrEP, usado antes da exposição ao HIV.
Um memorando de entendimento foi assinado entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica privada MSD, permitindo a produção de um novo medicamento contra o vírus HIV no Brasil. O documento foi oficializado nesta terça-feira (28), durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, que ocorre no Rio de Janeiro.
O medicamento, conhecido como Alimatravir (MK-8527), é classificado como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Isso significa que ele deve ser administrado antes do contato com o HIV, visando agir antes que o vírus infecte as células do organismo.
Atualmente, o Alimatravir ainda está em desenvolvimento pela MSD e aguarda aprovação em um estudo clínico de fase 3, que avalia a eficácia do medicamento com um grupo significativo de voluntários. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também precisa aprovar seu uso no país.
“A vantagem é que a Fiocruz já participa ativamente [dos estudos] com esse memorando. Isso faz com que a gente tenha acesso mais rápido aos dados, possa apresentar mais rapidamente para a Anvisa e a Anvisa possa acompanhar, antecipadamente, os estudos clínicos. Isso pode fazer com que a gente tenha o registro mais rápido no Brasil”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O HIV é um retrovírus que utiliza o RNA como material genético e possui uma enzima chamada transcriptase reversa, que transforma o RNA em DNA após a infecção em células do sistema imunológico. Com o auxílio de outra enzima, a integrase, o material genético do HIV se insere no genoma do indivíduo infectado, permitindo sua replicação.
O Alimatravir, assim como outros medicamentos da classe NRTTI (inibidores da translocação da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo), atua impedindo a ação da transcriptase reversa, bloqueando a replicação viral. De acordo com a diretora médica da MSD no Brasil, Márcia Abadi, “de uma maneira bem simples, ele impede que o vírus se replique”.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece como profilaxia pré-exposição a combinação dos antirretrovirais orais Tenofovir e Entricitabina, que podem ser utilizados diariamente ou em doses antes e depois da relação sexual.
Além disso, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) está avaliando a inclusão de um PrEP injetável, administrado a cada dois meses, conhecido como Cabotegravir.
“[O Alimatravir] é um medicamento inovador, na medida em que é de uso oral, um tablete pequeno, com periodicidade mensal. A inovação vem no sentido de trazer mais comodidade para a pessoa que vai se prevenir contra a infecção pelo vírus HIV”, explicou o diretor de Relações Institucionais da MSD no Brasil, Rodrigo Cruz.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se o Alimatravir apresentar resultados positivos em seus estudos clínicos finais e conseguir garantir seu registro, o objetivo é que haja transferência de tecnologia para a Fiocruz, possibilitando a produção do medicamento no Brasil para o SUS e, potencialmente, para toda a América Latina.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
