TIC Educação 2025 mostra que 80% das escolas discutiram impactos das tecnologias digitais na saúde mental. Houve aumento de 18 pontos em relação a 2024. Dados divulgados pelo Cetic.br.
O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada dez escolas brasileiras. Em 2025, a proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema cresceu 18 pontos percentuais em relação a 2024, passando de 62% para 80%.
Os dados foram apresentados na pesquisa TIC Educação 2025, divulgada nesta terça-feira, e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que é uma entidade vinculada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas telefônicas com gestores de 2.404 escolas, abrangendo instituições públicas e particulares, tanto em áreas urbanas quanto rurais.
A pesquisa revelou que os debates sobre os efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos e a adoção crítica desses recursos estão se tornando mais comuns nas escolas do país. Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para discutir o uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, um aumento em relação aos 60% registrados no ano anterior. Além disso, 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo tema, comparado a 68% em 2024.
“Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital”, afirmou Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação.
O levantamento também destacou que 65% das instituições de ensino desenvolvem ações voltadas para a saúde mental dos estudantes relacionadas ao uso de tecnologias digitais. No entanto, essas iniciativas são mais prevalentes nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para os alunos (75%).
Entre os gestores que realizam essas atividades, 75% apontaram a baixa participação das famílias como um dos principais obstáculos, seguido pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%). Para as escolas que não realizam ações, 77% mencionaram a falta de materiais como a maior dificuldade, seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet (65%).
“A integração entre escolas e famílias é fundamental para a disseminação da educação digital”, acrescentou Costa. Ela ressaltou que “as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas” para apoiar as famílias na mediação do consumo digital de crianças e adolescentes.
De acordo com o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar celulares pessoais para a escola, com maior restrição nas turmas dos anos iniciais (69%) em comparação com o ensino médio (31%). Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular, mas as regras de armazenamento variam. Enquanto 66% das escolas que permitem o uso de celulares autorizam seu uso em atividades pedagógicas, esse percentual é maior nas regiões Norte e Nordeste.
Além disso, a pesquisa TIC Educação 2025 também mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) nas escolas, revelando que 53% dos gestores já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. Entretanto, apenas 22% informaram que a escola possui um guia de orientações sobre o uso desses recursos no ensino.
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