O governo brasileiro manifestou seu descontentamento em relação à revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026. A decisão do governo dos Estados Unidos foi justificada pela alegação de que o Brasil demorou a responder à solicitação de aprovação diplomática do indicado de Donald Trump para assumir a embaixada americana no Brasil.
Em resposta, o governo brasileiro refutou as alegações, qualificando-as como falsas. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo destacou que a decisão do Departamento de Estado dos EUA representa uma violação da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. O governo brasileiro argumentou que o nome do indicado americano só poderia ser divulgado após a anuência do país anfitrião, e que tal pedido ainda se encontra em análise.
“Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément”, destacou a nota oficial.
O governo brasileiro também mencionou a negativa dada a dois funcionários do governo dos Estados Unidos, enfatizando que a presença deles no país poderia levantar questionamentos sobre a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro. Nesse contexto, o governo interpretou a atitude como um interesse inadequado em interferir nas próximas eleições presidenciais no Brasil.
“Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, afirma a nota.
O episódio foi classificado pelo governo brasileiro como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o país. A nota ressaltou que a decisão de revogação do visto não é um fato isolado, mas sim um reflexo de um padrão de ações hostis motivadas por razões ideológicas que desafiam a construção de uma parceria bilateral baseada no respeito mútuo.
O Palácio do Planalto lembrou que diversas autoridades brasileiras, incluindo funcionários do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda estão sob sanções da Lei Magnitsky, impostas pelo governo dos EUA em resposta à condenação de Jair Bolsonaro por suposto golpe de Estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, tem se empenhado em buscar entendimentos e soluções para minimizar as tensões entre os dois países.
“O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas diferenças. O próprio presidente Lula, em sua visita a Washington em maio último, entre outros assuntos, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais”.
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