Em 5 de agosto de 2026, o BID anunciou novo aporte voltado à segurança na América Latina e no Caribe. Os recursos financiarão projetos contra violência e crime organizado entre 2026 e 2028.
No dia 5 de agosto de 2026, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou uma ampliação significativa dos recursos destinados à segurança pública na América Latina e no Caribe. O valor do fundo, que passou de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões, visa financiar projetos que combatem a violência e o crime organizado entre 2026 e 2028. A declaração foi feita durante a abertura da Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, realizada no Ministério da Justiça e Segurança Pública em Brasília.
O presidente do BID, Ilan Goldfajn, ressaltou que quase 60% das metas estabelecidas para os três anos da iniciativa já foram alcançadas em apenas um ano. Ele atribuiu a ampliação do fundo à forte demanda expressa pelos países da região, onde a segurança pública se tornou uma prioridade entre os governos.
Goldfajn destacou que, apesar da América Latina representar cerca de 8% da população mundial, a região é responsável por aproximadamente 33% dos homicídios registrados globalmente. Essa estatística evidencia a urgência e a importância de ações efetivas na área de segurança pública.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, também participou do evento e enfatizou a necessidade de intensificar a cooperação internacional e o compartilhamento de informações para combater organizações criminosas que operam em nível transnacional. Lima e Silva argumentou que o combate ao crime deve ir além das consequências da violência, sendo fundamental desarticular financeiramente as facções criminosas.
O ministro alertou para a adaptação das estruturas criminosas à globalização, que agora operam em rede e utilizam sistemas financeiros internacionais para movimentar recursos de forma ágil. A cúpula também marcou a integração da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado, um mecanismo criado para fornecer assistência técnica especializada a países que enfrentam crises ou ameaças emergenciais.
O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que a segurança, a justiça e o desenvolvimento devem ser tratados de maneira integrada, e a nova parceria entre a Interpol e a Força-Tarefa permitirá aumentar a capacidade de resposta dos países da região. Durante o encontro, foi assinado um memorando de entendimento entre o BID e o governo brasileiro, que prevê até R$ 5 bilhões em recursos para apoio técnico e financeiro ao Programa Brasil contra o Crime Organizado.
Os investimentos serão direcionados para a qualificação das investigações de homicídios, fortalecimento da segurança nos presídios, combate financeiro às organizações criminosas e enfrentamento ao tráfico de armas, munições e explosivos. A Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, que reúne 23 países-membros e 14 parceiros estratégicos, foi criada para promover respostas coordenadas aos desafios de segurança na América Latina e no Caribe. Durante a cúpula, o Brasil assumiu a presidência temporária do grupo pelos próximos 12 meses.
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