No primeiro fim de semana, Rodrigo Lampreia (Soho Music) destaca seis apresentações do festival. Elas promovem encontros entre rap e rock, pagode e Motown, bossa nova e pop, aproximando público jovem e jazz.
O primeiro fim de semana do Rock in Rio reúne artistas de diferentes gerações, estilos e momentos da música. Para Rodrigo Lampreia, do Soho Music Group, seis apresentações se destacam justamente pela capacidade de criar encontros entre universos que, à primeira vista, parecem distantes.
Lampreia destaca que a curadoria favorece aproximações entre rap e rock, pagode e Motown, bossa nova e pop, jazz e público jovem, além de reservar espaço a um dos maiores nomes da música mundial. Em sua avaliação, há um elemento comum entre as escolhas: os encontros musicais.
“São seis shows, seis gerações, e uma coisa em comum entre todos eles: são sobre encontros”.
Entre as apresentações apontadas, Major RD abrirá atenção no Espaço Favela no sábado. O rapper carioca tem ampliado diálogos entre hip hop e rock, colaborando com nomes do rock nacional e criando pontes entre dois universos que, segundo Lampreia, sempre tiveram mais afinidades do que parece.
“Ele cresceu ouvindo rock, já colaborou com Titãs, com Planet Hemp e vem construindo essa ponte entre dois universos que, na verdade, sempre tiveram muito mais em comum do que parece”.
No domingo, Bento Gil se apresentará no Global Village e convidará Flor Gil para dividir momentos do show. Ambos são netos de Gilberto Gil, que subirá ao Palco Mundo no dia seguinte, o que, para Lampreia, representa a presença de uma nova geração da família construindo sua própria identidade artística.
“Eu gosto muito dos dois. São talentosos, sensíveis, tocam e cantam muito bem”.
Na segunda-feira, Péricles levará ao Palco Sunset um repertório inspirado na Motown, com clássicos ligados a Stevie Wonder, Marvin Gaye e Jackson 5. Lampreia vê nessa proposta uma afinidade natural entre a tradição do pagode e a música negra norte-americana.
“Eu sempre imaginei o Pericão nesse lugar. Acho que tem tudo a ver pela voz e pela conexão que ele tem com essa história da música americana”.
No Palco Mundo, Luísa Sonza dividirá a apresentação com Roberto Menescal, prolongando o diálogo entre pop contemporâneo e bossa nova que ela vem construindo em seu repertório. Lampreia ressalta a delicadeza e o respeito de Sonza ao abordar o gênero.
“Talvez seja o encontro mais improvável dessa primeira semana”.
No Palco Sunset, Laufey aproximará bossa nova e jazz a uma plateia majoritariamente jovem, demonstrando como referências antigas são reinterpretadas pela chamada Gen Z.
“Fiquei impressionado vendo a Gen Z cantar absolutamente tudo. Tinha muito fã”.
Para fechar a seleção, Elton John subirá ao Palco Mundo em seu único show no Brasil. Lampreia destaca o peso do repertório do artista e a capacidade das canções de atravessarem gerações.
“Não precisa de muito argumento”.
Na síntese de Lampreia, os seis shows escolhidos ilustram como o Rock in Rio pode ser espaço de aproximação de públicos, linguagens e momentos da história da música, além de ressaltar a diversidade presente na curadoria do festival.
“São muitos shows incríveis na curadoria maravilhosa do Zé Ricardo e seu time. Sempre contando histórias, provocando pensamentos, fazendo com que a gente também ouça e busque o que a gente nem sabia que queria”.
Lampreia anunciou que voltará com nova seleção dedicada ao segundo fim de semana do festival e afirmou que irá ao Rio para acompanhar a programação.
“Estou indo para o Rio para curtir o Rock in Rio. A gente se vê na Cidade do Rock.”
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