Anunciada em 08/12/2023, a banda encerra apresentações em 7/11 no Pacaembu, São Paulo, com convidados e ex-integrantes. Derrick Green e Greyson Nekrutman avaliam novos projetos; rumos fora dos palcos seguem indefinidos.
O Sepultura anunciou sua turnê de despedida em 08/12/2023 e segue ainda sem uma definição sobre o futuro profissional de seus integrantes fora dos palcos. A banda marcou para o dia 7 de novembro a apresentação que encerrará sua trajetória nos palcos, no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, com convidados como Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich, além da participação de ex-integrantes como Jairo Guedz e Jean Dolabella.
O vocalista Derrick Green e o baterista Greyson Nekrutman, que entrou na formação em abril de 2024, estudam projetos musicais; o baixista Paulo Xisto Jr. toca ao lado do grupo americano Cultura 3 e pretende dedicar mais tempo à sua cidade natal, Belo Horizonte, além de cuidar de seu bar em Amsterdã. O guitarrista Andreas Kisser mantém diversas frentes de trabalho paralelas.
“Quero me aprimorar no violão, estou estudando o estilo brasileiro”
A declaração acima foi dada por Andreas Kisser em entrevista em que detalhou sua rotina artística: ele segue com o projeto De La Tierra, promove o PatFest, festival em lembrança de sua ex-mulher Patricia Perissinotto Kisser e que apoia causas ligadas a cuidados paliativos, desenvolve um trabalho que une música e artes plásticas e estuda violão com o instrumentista Douglas Lora.
Paulo Xisto Jr. reconheceu a dimensão do encerramento da carreira ao afirmar que ainda tenta absorver o fato e que deseja aproveitar os shows restantes. Em suas palavras:
“A ficha ainda não caiu, sabe? Temos alguns shows pela frente, quero aproveitar cada um deles”
Andreas Kisser também comentou o tom da despedida, destacando a trajetória longa e o alcance da banda:
“Não tem motivo para melancolia, nem tristeza, porque a gente está fazendo justamente aquilo que planejou. São 42 anos de uma história única e fantástica”
A história do Sepultura começou em Belo Horizonte em 1984, pelas mãos dos irmãos Max e Iggor Cavalera. A formação inicial incluiu ainda Paulo Jr. e Wagner Lamounier, sendo que Jairo Guedz entrou em sequência. A entrada de Andreas Kisser em 1987 remodelou o som e a trajetória do quarteto.
O grupo construiu uma carreira marcada por discos de grande impacto, com destaque para Chaos A.D. (1993) e Roots (1996). Em 16 de dezembro de 1996, Max anunciou sua saída da banda; Iggor deixou o grupo em 2006. Derrick Green estreou como vocalista em 15 de agosto de 1998, imprimindo nova direção às composições e às letras.
Ao longo das décadas, o Sepultura acumulou participações em grandes festivais internacionais, venda de milhões de discos em números estimados e influência sobre bandas como Slipknot, Korn e Gojira. A trajetória da banda também inclui episódios da infância musical em que faltavam recursos, lembranças de adversidades iniciais e histórias de bastidores, como a ocasião em que um visitante rasgou pôsteres do guitarrista — episódio que Andreas recordou como momento de tensão nos primeiros anos.
A turnê de despedida e os shows restantes encerram um ciclo de quatro décadas e poucos anos. Os integrantes têm deixado claro que, mesmo com o fim dos shows, cada um seguirá envolvido em música e projetos artísticos de diferentes naturezas.
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