Andreas Kisser lembrou ter assistido ao Rock in Rio em 1985 e, seis anos depois, estreado no Maracanã com o Sepultura. Hoje a banda encerra sua passagem pelo festival, agradecendo a chance de tocar músicas da era Derrick Green.
HOJE (05/09/2026), o Sepultura fará a sua despedida do Rock in Rio, encerrando uma relação com o festival que atravessa mais de três décadas. Andreas Kisser recorda que, em 1985, estava na plateia do evento para ver o dia dedicado ao heavy metal; seis anos depois, já como guitarrista do Sepultura, subiu ao palco do Maracanã na estreia da banda no festival.
Antes de subir ao Palco Mundo, Andreas demonstrou gratidão por participar desta edição do evento e por poder fechar esse capítulo na história do grupo.
“São shows exclusivos, que praticamente não aconteceram em nenhum outro lugar. É um ano de despedida e estou muito feliz de ter essa oportunidade de agradecer ao pessoal do Rock in Rio e aos fãs. Tem muita gente que nunca viu o Sepultura, que talvez esteja vindo pela primeira vez. É sempre um momento especial.”
A participação de 2026 é a oitava edição brasileira do Rock in Rio com o Sepultura. Como a banda realizou dois shows em 2013, porém, esta será sua nona apresentação no festival no país. A trajetória do grupo no evento começou em 1991, no Maracanã, episódio que antecedeu o lançamento de “Arise”, terceiro álbum da banda, e marcou a primeira execução ao vivo de “Orgasmatron”, cover do Motörhead que passou a integrar o repertório.
Ao longo dos anos, o Sepultura construiu passagens pelo festival em diferentes formatos: dividiu o palco com o grupo francês Les Tambours du Bronx; em 2013 teve encontro com Zé Ramalho no Palco Sunset; em 2017 tocou com a Família Lima; e, em 2022, abriu o Palco Mundo ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira. A banda também esteve em edições internacionais do Rock in Rio, como Lisboa e Las Vegas.
O Rock in Rio será o penúltimo show do Sepultura no Brasil. A apresentação final da banda está marcada para 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. Antes disso, a agenda oficial prevê compromissos fora do país, com datas anunciadas no Marrocos, Uruguai, Argentina, Chile e México.
A despedida integra a turnê “Celebrating Life Through Death”, anunciada originalmente como celebração dos 40 anos do grupo. A banda decidiu encerrar as atividades de forma planejada após levar sua música a dezenas de países ao longo de mais de quatro décadas.
Andreas também comenta sobre as transformações na cena do heavy metal ao longo desses anos, destacando maior diversidade e a presença crescente de mulheres e novos grupos no cenário nacional.
“A cena é sensacional. É uma cena mais democrática, inclusiva. Você vê a representatividade em todos os aspectos, a participação das mulheres com bandas protagonistas, principalmente aqui no Brasil.”
O músico mencionou ainda o papel do vocalista Derrick Green na história da banda e falou sobre a capacidade do metal de unir públicos e culturas.
“O heavy metal quebra isso. O heavy metal é união. É um estilo que está no mundo inteiro. O Sepultura já foi para mais de 80 países. Independentemente de religião ou política, o heavy metal está lá.”
Sobre a identidade sonora do grupo, Andreas atribui parte do alcance internacional à incorporação de ritmos e percussões brasileiras, que marcaram discos como “Chaos A.D.” e “Roots”.
“A nossa contribuição foi fazer a nossa arte, colocar o Brasil no mapa de uma forma diferente, utilizar a percussão de uma forma diferente, mais pesada, que outras pessoas não tinham percebido.”
“É abrir possibilidades. Não importa de onde você vem no mundo, tudo é possível se você faz a coisa com carinho, amor e dedicação, se prepara, estuda e está aberto às possibilidades e às mudanças. O Sepultura passou por tudo isso nesses 40 anos. E por isso estamos no nosso melhor momento.”
O vocal e a sonoridade que marcaram a era Derrick Green serão destaque na despedida do festival, que conclui uma trajetória longa e diversa do Sepultura no Rock in Rio e projeta o encerramento planejado das atividades do grupo em solo brasileiro.
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