Na estreia no Rock in Rio, Jon Batiste apresentou um show que uniu suas raízes de Nova Orleans à música brasileira. Misturou percussão, soul e jazz com referências a Tom Jobim e Gilberto Gil, encantando a plateia.
Jon Batiste não precisou escolher entre Nova Orleans e o Brasil em sua estreia no Rock in Rio. Nesta segunda-feira (7), o pianista levou ao Palco Mundo um espetáculo que buscou suas próprias raízes e a música brasileira, misturando soul, black music, jazz, percussão e referências ao samba em um repertório preparado especialmente para sua passagem pela Cidade do Rock.
A aproximação com a música brasileira não foi apenas pontual. Jon Batiste já vinha citando nomes como Milton Nascimento, Tom Jobim, Gilberto Gil, Sérgio Mendes e Caetano Veloso entre suas referências, e para o festival essa conexão ganhou ainda mais espaço em cena.
Uma das participações que marcou a apresentação foi da percussionista Nêgah Santos, que assumiu os vocais em “Mas Que Nada”, clássico de Jorge Ben Jor internacionalmente popularizado por Sérgio Mendes. Ao lado de Batiste, Nêgah também chamou a atenção para os músicos brasileiros que integravam a formação do show e celebrou a presença local no palco.
“Uma salva de palmas para essa galera, esses percussionistas maravilhosos que são aqui do Rio. Eles são cria de vocês!”, disse ao público.
A força dessa formação ficou clara em momentos como a execução de “BIG MONEY”, quando caixa, bateria, agogô e elementos associados à bateria de escola de samba se encontraram com a sonoridade do pianista. A música cresceu progressivamente e transformou o Palco Mundo em uma grande sessão de percussão, alternando entre groove e explosões rítmicas.
Depois da onda percussiva, o espetáculo mudou de tom com a entrada da bailarina brasileira Ingrid Silva, que trouxe ao palco um diálogo entre música e movimento. Amiga e colaboradora de Batiste em outras ocasiões, Ingrid já havia sido apontada pelo músico como uma possível convidada para o Rock in Rio.
Com Ingrid no centro do palco, Batiste desacelerou e passou a trabalhar o piano com notas mais delicadas, enquanto a bailarina conduzia a apresentação com movimentos precisos e leves. Aos poucos, música e coreografia ganharam intensidade conjunta, criando um dos momentos mais contemplativos do show. A parceria continuou em “Butterfly”, quando a dança voltou a ganhar maior movimento, com saltos e uma coreografia mais intensa acompanhada pelo piano.
Mesmo tendo o piano como ponto de partida, Jon Batiste evitou que o instrumento limitasse as possibilidades do espetáculo. Ao longo da apresentação, improviso, percussão, dança e participação do público tiveram tanto peso quanto as teclas. Entre momentos de contemplação e sequências em que o samba e a percussão dominaram o palco, o músico construiu um show pensado para ser ouvido e também dançado, cantado e celebrado junto à plateia. Celulares e lanternas acesas acompanharam boa parte da performance.
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No conjunto, a apresentação destacou tanto elementos da tradição de Nova Orleans quanto a vivacidade rítmica do Brasil, em especial do Rio. O show de Jon Batiste no Palco Mundo será lembrado pela mistura de gêneros, pela presença de artistas brasileiros no palco e pela interlocução entre música e dança.
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