No domingo (13), Lola Young enfrentou chuva e concorrência na Cidade do Rock. Conhecida pelo hit 'Messy', ela abriu com 'Wish You Were Dead' e buscou mostrar repertório mais amplo acompanhada de banda.
Lola Young chegou ao Rock in Rio 2026 neste domingo (13) com uma missão especialmente difícil: apresentar-se ao público brasileiro em sua primeira passagem pelo país, em meio à chuva e a uma programação concorrida no Cidade do Rock. Grande parte da plateia conhecia a britânica sobretudo pelo fenômeno do single “Messy”; a tarefa era mostrar um repertório mais amplo além do hit viral.
No Palco Mundo, a artista apareceu com visual diferente do habitual — de vestido preto elegante e unhas longas — e abriu a apresentação com “Wish You Were Dead”, acompanhada por uma banda completa, com bateria, teclado, baixo e guitarra. A mudança estética, no entanto, não significou abandono da identidade que percorre seu trabalho: em poucas músicas ficaram evidentes a vulnerabilidade, o humor e a energia quase caótica que marcam suas canções.
O show alternou momentos contidos, em que a voz de Lola ocupava praticamente todo o espaço, e trechos em que ela extravasou junto à banda. “Big Brown Eyes” esteve entre as faixas utilizadas para apresentar o repertório a quem ainda não havia mergulhado na discografia da cantora. Parte da missão era justamente convencer o público de festival de que existe uma artista maior por trás do hit.
“Eu estou muito feliz de estar aqui. Eu ouvi muitas coisas lindas deste país, e é verdade”
O trecho acima foi dito por Lola Young ao público, em que ela repetiu a alegria por finalmente estar no Brasil e se mostrou impressionada com a recepção. Em outro momento, ela disse estar ansiosa para ouvir os gritos da plateia brasileira e afirmou que aqueles gritos a haviam provado certa expectativa sobre sua recepção.
“Eu estava muito ansiosa para me apresentar aqui e ouvir os gritos dos brasileiros, que são os melhores do mundo. Vocês me provaram isso.”
As condições climáticas e a programação concorrente influenciaram a experiência. A chuva, que já havia apertado durante a apresentação de Joelma no Palco Sunset, continuou a interferir. Ao mesmo tempo, parte do público precisou decidir entre shows que ocorriam em horários similares: Dennis começou seu show no Espaço Favela às 19h10, o mesmo horário em que Lola se apresentava no Palco Mundo, enquanto Marina Sena subia ao Sunset às 20h20.
Essa dinâmica de festival tornou mais difícil para uma artista britânica, conhecida em grande parte do público por um hit viral, disputar atenção com nomes nacionais que já mantêm relação consolidada com a plateia. Havia circulação pela Cidade do Rock: uns permaneceram para conhecer mais do repertório de Lola, outros aproveitaram para ver apresentações mais festivas ou garantir lugar para os shows seguintes.
“Mesmo que vocês não conheçam todas as músicas, vocês estão curtindo, entendem? É por isso que eu amo!”
Em “Spiders”, a cantora se emocionou e chorou durante a apresentação, deixando por alguns minutos a figura sorridente e exibindo uma performance mais confessional. Foram nesses momentos de fragilidade que a extensão do seu trabalho ficou mais clara: uma voz rouca, variações de intensidade e uma interpretação quase íntima sustentam um repertório que extrapola a lógica do viral.
Por fim, o Rock in Rio mostrou que ter repertório para um grande palco nem sempre significa que essa seja a melhor configuração para a estreia de um artista com faixas intimistas. Foi apontado que um palco menor, como o Sunset, poderia ter preservado melhor a intimidade de certas canções e permitir um desenvolvimento gradual da energia característica de Lola Young.
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