Quatro atrações anunciaram que deixarão a programação de abertura da turnê do cantor britânico. A decisão veio após a retirada de Macklemore, em reação a uma manifestação pró-Palestina, segundo os artistas.
Não estava fácil para Ed Sheeran. Após a retirada do rapper Macklemore da programação da “Loop Tour”, todos os demais artistas que fariam as aberturas dos shows do cantor e compositor britânico cancelaram suas participações na turnê.
Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga divulgaram mensagens nas redes sociais anunciando a decisão. Segundo o material publicado pelos artistas, a decisão ocorreu depois que Macklemore foi removido da agenda por uma manifestação em favor de uma “Palestina Livre” durante os shows.
“Artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos. Decidi cancelar minha participação nas próximas datas da turnê com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e de seu povo”
A declaração acima foi publicada por Finneas, cantor e compositor norte-americano, que também é irmão da cantora Billie Eilish. Finneas teria sido o ato de abertura das edições da “Loop Tour” na América do Sul, incluindo o Brasil, marcadas para os dias 5 e 6 de dezembro no Nubank Parque, estádio em São Paulo.
“Ed tem sido um amigo para mim e mudou minha vida; eu nunca conseguiria agradecê-lo o suficiente por isso. Mas, como irlandeses, conhecemos muito bem o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta. Não posso ficar de braços cruzados e permitir que bilionários usem sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e que destacam o assassinato cruel de crianças. Eu perderia todo o respeito por mim mesmo se continuasse agindo como se tudo estivesse normal”
O trecho acima foi publicado pelo cantor e compositor irlandês Aaron Rowe, que havia sido anunciado como um dos substitutos de Macklemore para as apresentações na América do Norte. Rowe afirmou que a decisão de se retirar da turnê não foi tomada de ânimo leve, lembrando da relação pessoal com o artista anfitrião e também fazendo referência à história e à memória irlandesa.
“Nunca nos imaginamos tocando em estádios desse porte, e não deixamos de valorizar essa oportunidade. Somos amigos de Ed há mais de 10 anos e continuaremos sendo. Acreditamos no diálogo como um meio de fazer avançar a causa do povo palestino… tocar em locais que silenciam qualquer pessoa que defenda uma Palestina Livre simplesmente não é uma opção para nós”
A banda Beoga, também irlandesa, afirmou que valoriza a amizade com Ed Sheeran e a oportunidade artística, mas explicitou objeções ao que classificou como silenciamento de vozes que defendem a Palestina. Em outro trecho, o grupo acrescentou que “é importante que todos saibam que o verdadeiro inimigo é o lobby sionista” e afirmou seu compromisso com o movimento Irish Artists For Palestine, destacando a compreensão irlandesa sobre o colonialismo.
“É difícil ver famílias em outras partes do mundo enterrando as pessoas que amam. Deveríamos ser capazes de falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que elas vivam. Seja qual for a bandeira sob a qual estejam”
Essa declaração foi publicada pelo cantor e compositor dinamarquês Lukas Graham, que lamentou a decisão de se ausentar da turnê e afirmou ter sido uma decisão difícil. Lukas Graham ressaltou gratidão pela relação com Ed Sheeran e disse que não poderia seguir com a turnê nas condições descritas em sua mensagem.
Os cancelamentos vieram após a exclusão de Macklemore da programação, situação que motivou reações públicas dos artistas substitutos e dos demais aberturas anunciados. As mudanças deixam em aberto a definição de novos nomes para as datas afetadas da “Loop Tour”.
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