Estudo da FUP/DIEESE mostra margem líquida de 29,15% para a estatal brasileira no 1º semestre de 2026, à frente de Saudi Aramco, ExxonMobil e Chevron. Pesquisa foi coordenada por Cloviomar Cararine.
A Petrobras alcançou, no primeiro semestre de 2026, a maior margem de lucro entre um grupo de grandes petroleiras internacionais, superando empresas como Saudi Aramco, ExxonMobil e Chevron. A constatação está em um estudo divulgado nesta quarta-feira (16) pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
No ranking do Dieese, a Petrobras apareceu no topo, com margem líquida de 29,15% no primeiro semestre de 2026. No período, a estatal brasileira registrou lucro líquido de R$ 85,1 bilhões. O levantamento comparou resultados financeiros de grandes petroleiras desde 2020 e apontou que esta foi a primeira vez em que a Petrobras chegou ao primeiro lugar na métrica de margem de lucro.
O estudo também destaca que, entre 2020 e 2025, a Saudi Aramco ocupou a primeira posição em margem de lucro, com a Petrobras figurando majoritariamente como vice-líder, exceto em 2024. A pesquisa utilizou informações divulgadas pelas próprias empresas; não foram incluídas no comparativo petroleiras chinesas como Sinopec e PetroChina.
Margem de lucro (1º semestre de 2026)
- 29,15% — Petrobras
- 25,48% — Saudi Aramco
- 18,01% — Chevron
- 16,33% — ExxonMobil
- 14,83% — BP (Reino Unido)
- 12,84% — Equinor (Noruega)
- 9,94% — Shell (anglo-holandesa)
- 9,44% — TotalEnergies (França)
O estudo diferenciou lucro e margem de lucro: o lucro corresponde ao montante que sobra após custos, despesas e tributos; a margem indica a proporção da receita que de fato se transforma em lucro. Em termos ilustrativos, uma margem líquida de 15% significa que, para cada R$ 100 em vendas, R$ 15 são lucro líquido após todas as deduções.
Lucros (1º semestre de 2026, em US$)
- US$ 65,4 bilhões — Saudi Aramco
- US$ 18,7 bilhões — ExxonMobil
- US$ 16,6 bilhões — Petrobras
- US$ 15,5 bilhões — Shell
- US$ 14,3 bilhões — Chevron
- US$ 11,8 bilhões — TotalEnergies
- US$ 9,5 bilhões — BP
- US$ 7,9 bilhões — Equinor
- US$ 6,1 bilhões — ConocoPhillips (EUA)
Ao comentar os resultados, o economista que coordenou o levantamento relacionou o desempenho a ganhos de eficiência operacional e a fatores conjunturais. Segundo ele, o desempenho foi sustentado pelo aumento da produção, pela alta dos preços internacionais do petróleo — atribuída no estudo ao conflito no Oriente Médio —, pela redução de gastos gerais e pela condição da empresa como integrada, com atividades de produção e refino.
“grande eficiência operacional da companhia”
O estudo também registrou dados operacionais: no segundo trimestre de 2026, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras foi a maior da história da companhia, atingindo 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Cerca de 30% dessa produção foi vendida para o exterior (996 mil barris/dia). As refinarias da empresa alcançaram um recorde histórico de Fator de Utilização (FUT) de 101,2%, indicador que mede o nível de emprego da capacidade instalada.
Os dados e as conclusões do estudo fornecem um panorama financeiro e operacional das grandes petroleiras internacionais no primeiro semestre de 2026, com ênfase na posição inédita da Petrobras em margem de lucro.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
