Com 32 milhões de habitantes e área quase duas vezes a do Rio, Chongqing simboliza a mudança da China de rural a potência industrial. Cortada pelo Yangtzé, é polo estratégico para Pequim.
A transformação da China nas últimas cinco décadas, de país predominantemente rural e com baixos índices de renda para uma potência industrial e tecnológica, pode ser observada em Chongqing, município onde vivem 32 milhões de pessoas. Situada no interior do sudoeste do país, a cidade é cortada pelos rios Yangtzé e Jialing e é apontada por Pequim como um polo estratégico para a economia nacional.
Com 82,4 mil quilômetros quadrados, quase o dobro da extensão do estado do Rio de Janeiro, Chongqing é o maior município em extensão territorial do mundo. O principal centro urbano concentra cerca de oito milhões de habitantes, enquanto os demais 24 milhões vivem distribuídos por 37 distritos.
A cidade mistura arquitetura histórica e modernos arranha-céus, grandes complexos de viadutos e uma infraestrutura urbana marcada por soluções curiosas, como uma estação de metrô que atravessa edifícios. Ao chegar ao aeroporto internacional, as cadeias de montanhas e o tempo frequentemente fechado ajudam a explicar apelidos como cidade dos rios, das montanhas e das neblinas.
No campo industrial, Chongqing reúne 39 das 41 grandes indústrias chinesas e todas as 31 principais categorias de manufatura do país. O município abriga 19 fabricantes completos de veículos e mais de 1,2 mil empresas de autopeças. A presença de estações de recarga e a relativa ausência de ruído de motores no trânsito corroboram a posição de Chongqing como centro de produção de carros elétricos. A cidade também concentra indústrias de equipamentos militares, tecnologia nuclear, construção naval e setor aeroespacial.
Além do polo industrial, a metrópole tem vida cultural e noturna intensa, um comércio vibrante e uma culinária reconhecida internacionalmente, com destaque para os hot pots, pratos servidos em panelas individuais ou coletivas com ingredientes cozidos à mesa em líquidos ferventes. Esses elementos têm colocado Chongqing entre destinos turísticos de destaque.
Em evento internacional realizado na cidade, o secretário do Comitê Municipal do Partido Comunista da China em Chongqing, Yuan Jiajun, afirmou que a cidade busca aplicar o conceito de “civilização ecológica” proposto pelo presidente Xi Jinping. Na ocasião, ele disse que a experiência de Chongqing demonstra a força e a aplicabilidade do pensamento do presidente sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era.
“A prática dinâmica da construção de uma nova Chongqing moderna comprova plenamente a poderosa força da verdade e a grande capacidade prática do pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”, declarou Yuan Jiajun.
Chongqing também atua como um importante hub logístico da Nova Rota da Seda, conectando produção e mercados internacionais. Produtos saem das fábricas rumo à Europa, à Ásia Central e à Rússia por mais de 1,3 mil quilômetros de trens de alta velocidade e por mais de 4,7 mil quilômetros de rodovias expressas. O rio Yangtzé permite o transporte fluvial até o porto de Xangai, a 1,4 mil quilômetros de distância.
O professor André Pereira Reinnert Tokarski, pesquisador que já visitou Chongqing em outras ocasiões, ressaltou a transformação na relação da cidade com o Yangtzé, que deixou de ser vista apenas como ameaça e passou a ser um elemento a ser integrado nas políticas urbanas e ambientais.
“A cidade vivia brigando com o rio [Yangtzé], lutando para sobreviver às ameaças que o rio eventualmente representava, de grandes enchentes e deslizamentos de terra. Até que buscou se reconciliar para olhar para a natureza não como uma inimiga, mas sim a se adaptar”, afirmou Tokarski.
Para o pesquisador, a experiência de Chongqing se insere no contexto da “civilização ecológica” que busca conciliar desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida com a preservação ambiental. O repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).
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