O disco, com 11 faixas, chega às plataformas nesta sexta (25) e apresenta o Olodrill, fusão do drill com sonoridades afro-baianas. Marca uma virada na carreira do rapper com mais de 20 anos de trajetória.
O projeto Olodrill terá seu primeiro álbum completo. O Peão Virou Rei, segundo disco solo do rapper baiano Adriel Bicho Solto, chega às plataformas nesta sexta-feira (25) e apresenta o conceito criado pelo artista a partir do encontro entre o drill e o universo do Olodum.
Com 11 faixas, o disco marca um momento de virada na trajetória do artista, que acumula mais de duas décadas de atividade no hip-hop. Tambores, graves e samples afro-baianos dividem espaço com a estrutura agressiva do drill, formando a base sonora da proposta que Adriel denomina Olodrill.
Não é uma mistura onde metade do projeto é Olodum e a outra metade é drill. É uma nova linguagem construída a partir dessas duas forças. O drill é a linguagem urbana que conduz o projeto, mas o Olodum está no DNA dele.
Ouvir Olodum é ouvir um grito, ouvir drill é ouvir um ataque. E o grito do ataque é Olodrill.
A proposta começou a se desenhar antes do lançamento do álbum, em faixas como “Outras Queixas”, que já flertava com o samba-reggae. Vieram depois “REI”, que usa sample de “Faraó Divindade do Egito”, na voz de Margareth Menezes, “VIROU”, que incorpora trecho de “Chicleteiro Eu, Chicleteira Ela”, do Chiclete com Banana, e “PEÃO”. Juntas, as três músicas formam uma trilogia que antecipa boa parte da identidade do disco.
O título O Peão Virou Rei remete a uma regra do xadrez: ao cruzar o tabuleiro, a peça mais fraca pode virar a mais forte. Natural de Alagoinhas (BA), Adriel Bicho Solto usa essa imagem para falar da própria mudança para São Paulo, marcada por dificuldades financeiras, xenofobia, discriminação e perdas familiares. Essas experiências tornaram-se matéria-prima para letras escritas quase como um diário.
São 11 faixas que, para mim, são 11 Adriel diferentes, porém cada uma completa a outra. O álbum é com certeza meu trabalho mais pessoal, trazendo coisas totalmente minhas, falando de sentimentos e sensações que eu senti.
A produção do álbum é assinada por Rzl Prod, Edu Beats, Scooby e Junior Carvalho, com arranjos de Rzl Prod e mixagem e masterização dele em parceria com TW O Procurado. Esses nomes aparecem como responsáveis por traduzir a ideia do Olodrill em arranjos que combinam ancestralidade e modernidade, tambores e batidas eletrônicas.
Eu sou peça e jogador desse tabuleiro chamado vida. Atravessei de um lado para o outro, do Nordeste ao Sudeste, e não morri. Eu sou O Peão que Virou Rei, trazendo a sonoridade que mistura ancestralidade e modernidade, tambores e beat, África, Brasil e drill. Eu sou o Olodrill.
A trajetória do artista começou no rap gospel, aos 17 anos, seguiu pelo grupo Sangue Real e ganhou nova fase em 2023, quando Adriel passou a apostar em carreira solo. Com o novo disco, o Olodrill deixa de ser experimento e se firma como marca própria dentro do rap nacional, consolidando uma linguagem que busca diálogo entre herança cultural afro-baiana e sonoridades urbanas contemporâneas.
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