Em 2025 havia 10,7 milhões de empreendedores registrados entre 103 milhões de pessoas ocupadas. Dos 30,6 milhões de empreendedores, cerca de 65% — quase 20 milhões — atuavam sem registro formal, aponta a Pnad.
De cada 100 empreendedores no Brasil no ano passado, 35 tinham registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), o que equivale a 10,7 milhões de pessoas nessa condição. Esse percentual é o maior já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
Em 2025, o país tinha 103 milhões de pessoas ocupadas, sendo 30,6 milhões consideradas empreendedoras, entre empregadores e trabalhadores por conta própria. Quase 20 milhões desses empreendedores — o equivalente a 65% — não tinham CNPJ.
Os dados fazem parte de uma edição especial da Pnad Contínua, divulgada nesta quarta-feira (23). A pesquisa é realizada desde 2012, com exceção dos anos de 2020 e 2021, quando a coleta foi inviabilizada pela pandemia de covid-19.
Evolução histórica
- 2012: 24%
- 2013: 25,7%
- 2014: 27%
- 2015: 28,3%
- 2016: 28,9%
- 2017: 28,1%
- 2018: 29%
- 2019: 29,3%
- 2022: 34,1%
- 2023: 33%
- 2024: 33,6%
- 2025: 35%
O registro no CNPJ pode representar vantagens ao trabalhador, como a possibilidade de emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários empresariais, contratar empregados formalmente e obter benefícios previdenciários. A formalização também contribui para a arrecadação tributária e para a economia formal.
O IBGE classifica os empreendedores em dois grupos: empregadores — que exploram o próprio empreendimento com pelo menos um empregado — e trabalhadores por conta própria — que exploram o próprio empreendimento sem empregar outros trabalhadores. Entre os empregadores, 81,1% tinham CNPJ em 2025, mantendo desde 2019 um patamar de pelo menos 80%, classificado como “estável em patamar elevado” pelo instituto. No grupo dos trabalhadores por conta própria, 27,1% tinham CNPJ, o maior nível da série histórica (em 2012 esse percentual era de 15%).
“O trabalho por conta própria, na grande parcela dele, é realizado por pessoas com um nível de instrução mais baixo”, disse o analista da pesquisa, William Kratochwill.
“A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quanto mais instrução a pessoa tem, mais preparada ela está para o mercado”, completou o analista.
Classificação por escolaridade
Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com nível superior tinham registro formal: 50,8%. Entre os com ensino médio completo e superior incompleto, o percentual foi de 29,7%, acima da média geral (27,1%). Já os trabalhadores por conta própria com ensino fundamental completo e médio incompleto apresentaram 18,6%, e os sem instrução ou com fundamental incompleto, 11%.
“É um programa que facilita o registro, facilita para a pessoa ter a sua empresa legalizada, registrada, que possa abrir uma conta no banco, realizar operações, receber formalmente via Pix ou boleto”, afirmou William Kratochwill ao comentar o impacto de programas de desburocratização e redução de custos, como o Microempreendedor Individual (MEI).
O MEI permite ao trabalhador formalizar-se com tributação simplificada e acesso a benefícios previdenciários, como aposentadoria por idade, por invalidez, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte. Entre os requisitos para adesão estão exercer atividade permitida na lista oficial, não ser sócio de outra empresa, contratar no máximo um empregado e respeitar o limite de faturamento anual de até R$ 81 mil, com exceções conforme a atividade.
Atividades
- Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 36,7%
- Serviços: 33,5%
- Indústria geral: 22,8%
- Construção: 14,8%
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 6,5%
O levantamento também aponta redução na proporção de trabalhadores por conta própria e empregadores associados a cooperativas: eram 6,3% no início da série e atingiram 4,7% em 2025.
Quanto à sindicalização, a pesquisa identificou estabilidade no patamar em 2025, após queda até 2023. Em 2012, 16,1% dos ocupados tinham relação com sindicatos. Até 2023, a taxa recuou para 8,4%; subiu para 8,9% em 2024 e ficou em 8,8% em 2025, considerado pelo IBGE uma variação dentro da estabilidade. Em números absolutos, eram 9,1 milhões de pessoas em 2025.
“Quando um serviço não é adequado ao que a pessoa deseja, ela não vai mais se submeter, não vai querer mais aquele tipo de serviço, uma vez que não lhe atende”, observou William Kratochwill ao comentar hipóteses para a queda na sindicalização, mencionando também mudanças legislativas como a reforma trabalhista de 2017.
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