Produtor e engenheiro de mixagem Marcelo Ferraz, vencedor de um Grammy e dois Grammys Latinos, soma cinco indicações na 27ª edição do Grammy Latino. Entre elas estão Álbum do Ano e várias nomeações em pop e música urbana.
Marcelo Ferraz é produtor musical, engenheiro de mixagem e masterização, A&R e empresário. Vencedor de um Grammy e de dois Grammys Latinos, integra o trio de produtores Los Brasileros e é um dos profissionais mais requisitados do pop nacional.
Em 2026, na 27ª edição do Grammy Latino, recebeu cinco indicações: Álbum do Ano e Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa por “EQUILIBRIVM”, de Anitta; Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa por “BRava”, de Jenni Mosello, e por “MARINADA, Vol. 1”, de Marina Sena; e Melhor Álbum de Música Urbana em Língua Portuguesa por “Frequência Lunar”, de Budah. Em agosto do mesmo ano, foi um dos 50 profissionais homenageados na primeira edição do Brasil Power Players.
Baseado em São Paulo, construiu uma carreira que une produção artística, desenvolvimento de talentos e excelência técnica. Seu trabalho é reconhecido por preservar uma identidade brasileira e autêntica, com acabamento compatível com o mercado internacional.
Como engenheiro de mixagem, Ferraz tem no tratamento das vozes uma de suas principais assinaturas. Cantoras e cantores procuram seu trabalho pela forma como coloca a interpretação no centro da música: ele entende que todos os elementos da produção e da mixagem existem para servir à voz e à emoção da canção.
Marcelo Ferraz disse:
Quando eu digo que a voz é o centro do universo, é porque a voz é um instrumento único. Ela encanta. Cada pessoa tem a sua, do seu jeitinho, com a sua personalidade. Então o meu trabalho é preservar a emoção que o cantor tem na hora em que está cantando e traduzir aquilo para o speaker. Não existe regra para isso. É uma questão de sensibilidade.
Às vezes, a melhor voz de uma música é a voz guia, porque é ali que está a emoção. Acontece muito de o artista querer regravar depois que está tudo pronto, num estúdio melhor, com um microfone melhor. Mas uma voz gravada num quartinho de casa, com eco e tudo o que vem junto, a gente trata: ela não vai ter o som tão perfeito quanto a de um estúdio com um microfone de dez mil dólares, só que o que importa mais é o take, é a emoção que passou ali. Nem sempre o som perfeito é o som que emociona.
A partir disso, a lógica se inverte: em vez de encaixar a voz na base, eu contorno os outros instrumentos em volta dela, abrindo os espaços e as frequências certas para que ela apareça, dentro da proposta da música, claro. E o critério do quanto intervir é só a necessidade. É saber não estragar uma voz que já está boa, e saber fazer o que for preciso para deixar uma voz emocionante com o que a gente tem. Se forem precisos 30 plugins e 30 auxiliares para o negócio acontecer, eu faço. Quem manda é o resultado, não o caminho.
Ferraz começou a trabalhar com música ainda adolescente e cresceu em estúdios fixos e móveis. Muito jovem, já era responsável pelos sistemas de Pro Tools de grandes gravações ao vivo, incluindo Acústicos MTV e especiais que marcaram a música brasileira. Nos primeiros anos, alternava finais de semana na estrada com gravações diversas: participou de projetos que envolveram artistas e profissionais de estilos variados, o que contribuiu para a formação de sua abordagem técnica e estética.
O contato com gravações ao vivo ensinou-lhe a valorizar a imperfeição como elemento que torna a música emocionante. Ferraz aprendeu tanto o como fazer quanto o como não fazer: produções que exageravam na correção perdiam a naturalidade desejada. Essa lição tem sido aplicada no trabalho atual, em um momento em que os recursos de edição são praticamente ilimitados.
Em 2007, conheceu Chorão e passou a mixar seus especiais para televisão. Dois anos depois, em 2009, produziu o primeiro álbum da banda Cine ao lado de Pedro Dash e Dan Valbusa, hoje seus parceiros no Los Brasileros. Em 2016, foi contratado como produtor exclusivo pela Universal Music e cofundou o selo Head Media. Atuando também como A&R, participou do desenvolvimento de artistas como Jão, Vitão e Carol Biazin.
Com o Los Brasileros, produziu “Mercúrio”, faixa do álbum “Mañana Será Bonito”, de Karol G, projeto que venceu o Grammy de Melhor Álbum de Música Urbana em 2024 e conquistou Álbum do Ano e Melhor Álbum de Música Urbana no Grammy Latino de 2023.
Essas experiências motivaram a participação de Ferraz na seção “5 Takes”, que reúne profissionais do mercado para compartilhar processos e escolhas em cinco perguntas — mais uma faixa bônus —, apresentando a trajetória de quem coloca a voz como protagonista do trabalho de produção e mixagem.





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