Dólar comercial fechou em R$5,1931 (+0,47%), aproximando-se de R$5,20 em dia de aversão ao risco. Ibovespa recuou e o petróleo subiu por tensão EUA-Irã; investidores acompanharam projeções do BC e o cenário fiscal.
Em dia de nervosismo nos mercados doméstico e internacional, o dólar aproximou-se de R$ 5,20 e o dólar comercial encerrou esta quinta-feira (24) vendido a R$ 5,1931, com alta de 0,47%. A cotação iniciou o dia em R$ 5,16 e chegou a R$ 5,202 na máxima, por volta das 15h.
O movimento coincidiu com maior aversão a risco no exterior, avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e valorização do petróleo diante de incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, investidores também acompanharam as novas projeções econômicas do Banco Central e o cenário fiscal, que influenciaram a direção dos ativos.
Principais números
- Dólar à vista: R$ 5,1931 (+0,47%)
- Ibovespa: 183.965,91 pontos (-0,99%)
- Dólar no mês: alta de 0,26%
- Dólar no ano: queda de 5,39%
- Petróleo tipo Brent: US$ 106,60 (+3,41%)
- Petróleo tipo WTI: US$ 94,61 (+2,65%)
A valorização do dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior: o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas, subiu 0,14%, aos 101,270 pontos, por volta das 17h. A alta ganhou força ao longo da manhã com a elevação dos rendimentos dos títulos públicos americanos, em meio a preocupações com a inflação nos Estados Unidos e à perspectiva de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve.
O Treasury de dez anos chegou a 5,2209% no fim da tarde, contra 5,114% na sessão anterior, alcançando rendimento acima de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Taxas mais altas em títulos considerados mais seguros tendem a estimular saída de capital de mercados emergentes, entre eles o Brasil.
O Banco Central atuou no mercado de câmbio na quinta-feira, vendendo US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos. Nesse tipo de operação, a autoridade monetária vende dólares com compromisso de recompra em alguns meses, aumentando a oferta de moeda estrangeira e a liquidez do mercado. Em comunicado anterior, o Banco Central havia informado que o fluxo cambial brasileiro estava negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.
Mais cedo, o Banco Central divulgou novas projeções econômicas: a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi reduzida de 2% para 1,8%, e a previsão para 2027 ficou em 1,4%.
Na B3, o Ibovespa recuou 0,99%, encerrando em 183.965,91 pontos. O índice registrou máxima de 186.211,43 pontos e mínima de 183.834,97 pontos ao longo do pregão, à medida que o ambiente internacional piorou para ativos considerados mais arriscados.
O petróleo acelerou com forte alta: o barril do tipo Brent subiu 3,41%, a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61. As cotações foram pressionadas pelas incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e pela possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar de relatos sobre potenciais negociações que pudessem permitir a reabertura da rota, a falta de definição manteve a pressão sobre os preços.
A elevação dos preços do petróleo é relevante para a evolução das expectativas inflacionárias e pode impactar a trajetória das taxas de juros nas principais economias, além de repercutir no cenário fiscal e nas decisões de investimento em mercados emergentes.
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