Formado pelo processo Dream Academy, o KATSEYE transformou-se em dois anos de promessa a fenômeno pop global. Em 'WILD', o grupo aprofunda a busca por identidade sonora iniciada em 'Beautiful Chaos'.
Hoje o foco é no KATSEYE. O grupo nasceu do processo conhecido como “Dream Academy”, uma seleção promovida pela HYBE em parceria com a Geffen que elegeu seis integrantes entre milhares de candidatas. Em dois anos, o coletivo deixou de ser apenas promessa e se tornou um dos nomes mais comentados do pop global.
O debut trouxe “Touch”, que apresentou o KATSEYE como um girl group pop jovem, extremamente coreografado e preciso. Na sequência, o álbum “Beautiful Chaos” mostrou uma ampliação sonora, com faixas como “Gnarly”, “Gabriela” e “Gameboy”. A mudança começou a ficar mais evidente nesse momento: o grupo passou a brincar com expectativas e referências, incorporando elementos menos previsíveis à sua imagem.
Em termos de mercado, “Gnarly” alcançou a posição 82 na Billboard Hot 100, enquanto “PINKY UP” chegou ao 28. O álbum “Beautiful Chaos” atingiu o 4º lugar na Billboard 200, sinais claros do alcance internacional que o KATSEYE vinha conquistando.
Agora chega “WILD”, descrito como um álbum diferente na trajetória do grupo. A obra mistura dança, maior presença de sensualidade, influências de R&B e referências dos anos 2000, além de momentos de caos e de harmonia. Entre as faixas, chama atenção “Hootie Frutti”, canção que traz inspiração brasileira e incorpora trechos em português.
Essa ligação com o Brasil aparece também na sequência de apresentações do grupo no país, incluindo passagem por festivais como o Lollapalooza, e em uma aproximação com cenas noturnas e elementos da cultura local. A inclusão de português em “Hootie Frutti” exemplifica a estratégia de produzir um pop global que ainda encontra caminhos para dialogar com audiências específicas.
Musicalmente e visualmente, o KATSEYE segue marcado pelo treinamento intenso — cantar, dançar, performar e harmonizar com precisão são características que permaneceram. Ao mesmo tempo, “WILD” propõe uma ampliação dessa identidade, testando novas sonoridades e imagens e convidando o público a acompanhar essa transformação.
É relevante notar também a pausa nas atividades de duas integrantes, Sophia e Manon. Sem especular sobre motivos, o fato funciona como lembrete de que, por trás de uma produção pop altamente calibrada, há pessoas que percorrem uma carreira em ritmo acelerado e que, por vezes, precisam de tempo para respirar e se recompor.
O momento aponta para um grupo em transição: entre a máquina pop bem ensaiada e a busca por uma personalidade artística própria, “WILD” funciona como um passo nessa direção, testando novos caminhos e propondo uma leitura mais complexa do que o KATSEYE pode vir a ser.
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