O músico transformou ideias salvas no celular em 11 faixas que unem pop mais direto e sua reconhecida sofisticação harmônica. Produzido por Ed Motta e Michel Limma, o disco sai sexta pela Dwitza em parceria com MPS.
Ed Motta reúne em pastas no celular acordes e ideias que dialogam com gêneros variados, e foi de uma dessas pastas que nasceu Toc-Toc, álbum que chega nesta sexta-feira (25), depois de mais de uma década sem um disco autoral em português. O projeto traz 11 faixas e marca o retorno do músico a uma linguagem mais direta do pop, sem abrir mão da sofisticação harmônica que caracterizou sua trajetória.
O disco foi produzido por Ed Motta e Michel Limma, e será lançado pela Dwitza em parceria com o selo alemão MPS. Synth bass, programação de bateria e teclados permeiam um repertório que passa por electro-funk, soul, balada e até uma bossa nova com baixo eletrônico. As referências citadas incluem a música negra norte-americana do final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, além de nomes da cena brasileira como Robson Jorge e Lincoln Olivetti, especialmente perceptíveis no single “O Desejo Está Nu”.
“Eu não conseguia fazer um refrão há muito tempo. Muito tempo mesmo, muitos anos. Um refrão nesse idioma pop.”
Antes de Toc-Toc, parte do álbum já havia sido apresentada ao público por meio dos singles “Eu Quero Ser Feliz” e da faixa-título, esta construída sob influência direta de James Brown. A proposta de síntese e minimalismo do idioma pop foi um desafio para um compositor acostumado a arranjos múltiplos e camadas, e o próprio músico descreve a busca por essa simplicidade como um processo trabalhado ao longo do tempo.
“Na verdade, quando começo minhas composições, elas estão sempre baseadas no fonema do inglês… Eu até saberia o que seria a prosódia correta, mas me permito desobedecer a isso em prol da rítmica.”
Ed detalha também o método de arquivamento das ideias: pastas de áudio no telefone com nomes como “jazzísticas”, “metidas a complicadas” e “acessíveis”. Embora afirme não ter formação formal em composição, mantém um processo prático e pessoal para salvar acordes quando surgem, e escolheu nesta obra privilegiar as canções com refrão e pegada pop.
“Isso foi muito legal. O Michel trabalha comigo ao vivo, é meu diretor musical há uns dez anos… Então rola um match total.”
A parceria com Michel Limma é central na construção do disco: Limma atua como organizador técnico e arranjador, transformando ideias e partidas instrumentais em partituras e texturas que sustentam a sonoridade pretendida. Paralelamente à música, o artista participa de outros projetos criativos: seu alter ego dos quadrinhos, Edouard Jazz, terá uma HQ em pré-venda que o coloca como músico e detetive em uma aventura entre Rio de Janeiro e Londres em clima noir das décadas de 1930 e 1940, com roteiro de PH Tirre e arte de Manoel Magalhães.
Colecionador de vinhos, discos e acordes, Ed Motta reconhece que o perfeccionismo o impede de embarcar em todas as frentes que o atraem — escrever para jornal, fazer rádio ou apresentar programas exigiriam dedicação incompatível com o seu trabalho musical. Essas inquietações e obsessões permeiam tanto a arquitetura das canções quanto as reflexões do artista sobre tecnologia, processo criativo e a satisfação de enfim transformar parte de sua vida e música em HQ.




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