Diretora criativa gaúcha, Gabriela parte da sensação da música para planejar videoclipes, capas e shows. Formada em Design Gráfico e Publicidade, atuou em São Paulo, Nova York e Assunção; hoje vive em Los Angeles.
Antes de uma canção ganhar videoclipe, capa ou palco, há uma série de decisões que determinam como o trabalho será percebido pelo público. Para Gabriela Grafolin, diretora criativa brasileira cuja trajetória passa por videoclipes, capas, shows e projetos musicais, esse processo começa pela sensação provocada pela própria música. Gabriela nasceu em Porto Alegre, é formada em Design Gráfico e Publicidade e acumulou experiências em cidades como São Paulo, Nova York e Assunção, no Paraguai. Atualmente, ela está em Los Angeles, de onde começa a levar seu trabalho para projetos internacionais.
“Eu começo pela sensação que a música provoca, converso com o artista e me detenho na letra, nas suas sacadas e na relação entre o que ela diz e o que a produção faz sentir. Uma tensão nessa relação já pode sugerir uma imagem”, conta Gabriela.
A chegada ao mercado internacional ocorre depois de uma trajetória fortemente ligada ao pop brasileiro. Entre os trabalhos recentes está a parceria com Cruz Beckham: Gabriela assinou a direção criativa do EP Wear & Tear, além da direção e edição da faixa-título e da direção criativa e fotografia de Optics e Lick The Toad. Esse trabalho integra a construção visual da atual fase musical do artista britânico.
No Brasil, um dos vínculos mais extensos de Gabriela foi com Carol Biazin. A parceria contemplou direção criativa de álbuns, videoclipes, trailers, roteiros e até composições. Em REVERSA, lançado em 2023, a direção criativa foi pensada como uma narrativa dividida em atos, com cores e símbolos distinguindo momentos do disco. Gabriela também assinou trabalhos ligados a No Escuro, Quem É Você?, álbum de Carol lançado em 2024.
“A partir da verdade daquela pessoa, da observação e da pesquisa do contexto em que ela está criando. Procuro particularidades que orientem o projeto: o humor, a maneira de se movimentar, a relação com o público ou um tema recorrente nas músicas”, explica Gabriela.
Com Jão, Gabriela participou da coordenação criativa da audição de SUPER e do show do cantor no The Town, ambos em 2023, além de ter assinado o co-roteiro do clipe de Me Lambe. Recentemente, dirigiu os visualizers de Frequência Lunar, de Budah, e de O Que Sobrou do Amor?, parceria de Carol Biazin com Léo Foguete. Seu currículo ainda inclui direção criativa de Que Pecado! (Carol Biazin e Ebony), direção criativa e direção de Do U (BIJAN) e trabalhos com GIANA, Luapsy e KUCZYNSKI.
Gabriela acumula funções de direção, roteiro, fotografia e edição em diversos projetos. Essa multiplicidade acompanha uma visão ampla sobre o papel da direção criativa em música: não se reduz à escolha de referências visuais, mas desenvolve o conceito de um projeto musical e orienta escolhas de performance e comunicação, considerando contexto e público. Segundo Gabriela, o desafio é sustentar uma intenção clara e ao mesmo tempo deixar espaço para os sentidos que surgem no encontro com as pessoas.
Na prática, depois da primeira sensação provocada pela música, ela busca a história por trás da canção e detalhes capazes de estabelecer uma linguagem comum entre os materiais. “Também procuro entender a história por trás da canção e trazer algo dessa verdade para o projeto, mesmo em detalhes quase escondidos”, afirma Gabriela. As referências da diretora passam pelo cinema de Yorgos Lanthimos, Lynne Ramsay e Martin Scorsese, e pelo trabalho da fotógrafa Petra Collins. Em vez de repetir uma estética, Gabriela diz enxergar sua assinatura na maneira como estabelece o diálogo com cada artista.
Discografia completa
- Direção Criativa: Carol Biazin — REVERSA (2023)
- Direção Criativa: Carol Biazin — REVERSA [in]ato (2023)
- Direção Criativa: Carol Biazin — No Escuro, Quem É Você? (2024)
- Co-roteirista: Carol Biazin — GAROTA INFERNAL (2022)
- Direção criativa e co-roteiro: Carol Biazin — BRINCA COM A… (2022)
- Direção criativa: Carol Biazin — INÍCIO DO FIM (2022)
- Direção criativa: Carol Biazin — FICA PRO CAFÉ (2022)
- Direção criativa: Carol Biazin — MENTA COM CHÁ (2023)
- Direção criativa: Carol Biazin — MALA MEMO (2023)
- Direção criativa: Carol Biazin — GLITTER (2023)
- Direção criativa: Carol Biazin — EX NÃO AMA (2023)
- Direção criativa e composição: Carol Biazin — DESSA VEZ NÃO (2023)
- Direção criativa: Carol Biazin — CAOS PERFEITO (2023)
- Direção criativa: Carol Biazin — PLAYLIST DE SEXO (2023)
- Direção criativa: Carol Biazin — BACARDI (2023)
O perfil revela como a direção criativa se constrói a partir de observação, pesquisa e diálogo com o artista, preservando contradições e particularidades que conferem personalidade ao projeto musical.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
