Álbuns de Madonna, Rolling Stones e Paul McCartney lançados em 2026 voltam a colocá-los na corrida por Álbum do Ano. Quase 40 anos após 1987, reaparece o debate: veteranos ainda podem vencer?
Os álbuns lançados por Madonna, Rolling Stones e Paul McCartney em 2026 voltaram a colocar os veteranos na discussão para o Grammy 2027. As obras citadas na conversa para Álbum do Ano são “Confessions II” (Madonna), “Foreign Tongues” (Rolling Stones) e “The Boys of Dungeon Lane” (Paul McCartney). Em 1987 foi a última e única vez em que os três foram indicados ao prêmio no mesmo ano.
Quase quatro décadas depois, a presença desses lançamentos entre os possíveis concorrentes ressalta uma pergunta sobre a dinâmica atual da premiação: veteranos têm espaço para disputar e vencer o prêmio principal em um cenário que mudou muito nas últimas décadas?
O histórico recente mostra precedentes de veteranos que triunfaram em fases tardias da carreira. Em 2008 e 2009, por exemplo, Herbie Hancock e a dupla Robert Plant e Alison Krauss venceram o prêmio de Álbum do Ano, com decisões que geraram debate pela disputa contra projetos de artistas do período anterior. O álbum de covers de Joni Mitchell por Hancock, “River: The Joni Letters”, superou trabalhos como “Back to Black”, de Amy Winehouse (1983-2011), e “Graduation”, de Kanye West. Em outra ocasião, “Raising Sand”, de Plant e Krauss, levou a melhor sobre “In Rainbows”, do Radiohead, e “Tha Carter III”, de Lil Wayne.
Há outros exemplos de reconhecimento tardio: em 2005, “Genius Loves Company”, de Ray Charles (1930-2004), venceu Álbum do Ano; em anos anteriores, álbuns como “Two Against Nature”, do Steely Dan, e “Time Out of Mind”, de Bob Dylan, também foram premiados muito depois das fases mais prolíficas desses artistas.
Na avaliação de alguns profissionais, a premiação continua sendo um reconhecimento entre pares que pode conferir novo significado à trajetória de artistas veteranos.
“Para muitos artistas, o Grammy continua sendo o auge do reconhecimento entre pares. Uma indicação ao Álbum do Ano pode confirmar que alguém com uma história extraordinária ainda cria trabalhos capazes de fazer a cultura avançar.”
— diz Helen Bruner, musicista indicada ao Grammy em parceria com Terry Jones, ex-conselheira nacional da Academia de Gravação e ex-presidente da seção da Filadélfia.
Ao mesmo tempo, há mudanças demográficas significativas entre os votantes da Academia de Gravação. Mais de 3,8 mil criadores e profissionais da música entraram na turma de novos membros de 2025, apta a votar no Grammy de 2026; dessa turma, 50% têm 39 anos ou menos, 58% são pessoas não brancas e 35% se identificam como mulheres. Como parte de um esforço de diversidade, a academia enviou convites a mais de 4 mil pessoas para a turma de 2026, apta a votar no Grammy de 2027.
Para alguns observadores, esse perfil de votantes favorece artistas com bases de fãs mais jovens e explica o destaque de nomes da década de 2020.
“Um corpo de votantes mais jovem certamente vai diminuir o domínio de artistas mais velhos. Isso provavelmente é algo bom, porque é sempre bom abrir espaço para artistas mais jovens.”
— afirma Steve Greenberg, membro votante há 30 anos e vencedor de dois Grammys.
Desde 2021, quando foram dissolvidos os comitês de revisão de indicações, as escolhas para Álbum do Ano passam a ser definidas diretamente pela base de votantes. Ainda assim, o reconhecimento público e a visibilidade global de nomes como Madonna, Rolling Stones e Paul McCartney podem lhes conferir vantagem estatística na disputa, especialmente após a ampliação da categoria Álbum do Ano de cinco para oito indicados em 2019.
Na prática, veteranos vão competir com grandes nomes contemporâneos que também surgem como prováveis candidatos, incluindo artistas como Taylor Swift, Olivia Rodrigo, Olivia Dean, Bruno Mars, Noah Kahan, RAYE e Rosalía. A combinação entre história, visibilidade e campanhas de lançamento continuará a influenciar como essas indicações se desenrolam rumo ao Grammy 2027.

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