O guitarrista do Queen decidiu há 18 meses interromper as turnês para não sacrificar sua liberdade. Aos 79 anos, quer dedicar mais tempo à família e à astrofísica após perdas pessoais.
Brian May, guitarrista do Queen, afirmou que não tem vontade de voltar a fazer turnês porque não quer mais “sacrificar a liberdade” e deseja dedicar mais tempo à família e à astrofísica. O músico de 79 anos disse, no sábado (3), que tomou a decisão há 18 meses e que acontecimentos pessoais reforçaram sua escolha.
“Decidi, há 18 meses, que não queria mais fazer turnês”, disse Brian May. “Um amigo próximo da família morreu quando estávamos nos EUA, então eu disse à minha gerente de turnê: ‘Vou dar um pulo em casa por alguns dias e volto’. Ela me olhou nos olhos e disse: ‘Você sabe que não pode fazer isso’.”
May afirmou que adora tocar e viajar, mas que o preço a pagar é abrir mão de liberdades pessoais. Ele citou a vontade de estar com a esposa, com os netos, e de se dedicar a projetos na área da astrofísica.
“Tenho mulher [a atriz Anita Dobson], netos e muita coisa que quero fazer na astrofísica. Acho que 50 anos talvez sejam suficientes.”
Apesar da decisão sobre turnês tradicionais, Brian May sugeriu que o Queen pode oferecer aos fãs uma proposta diferente, mais revolucionária e imersiva, que traria nova experiência sem reproduzir necessariamente o formato dos shows anteriores. Desde a morte de Freddie Mercury (1946-1991), a banda saiu em turnê com dois vocalistas diferentes: primeiro com Paul Rodgers e depois com Adam Lambert.
“Não do mesmo jeito que o ABBA fez, mas nessa linha”, afirmou o guitarrista ao referir-se ao formato de espetáculo que mistura performance e tecnologia.
May relatou que visitou a Sphere, em Las Vegas, e chegou a esboçar um show completo do Queen com possibilidades imersivas que, em sua visão, poderiam transcender tempo e espaço. Ao mesmo tempo, ele disse que hoje não é possível realizar esse tipo de experiência sem recorrer à inteligência artificial, tecnologia sobre a qual expressou reservas.
“No ano passado, fui à Sphere [em Las Vegas], fiquei empolgado e cheguei a esboçar um show completo do Queen. Acredito que uma experiência imersiva ainda seja possível e que ela poderia transcender o tempo e o espaço. Mas, hoje, não dá para fazer isso sem IA, e tenho sérias ressalvas quanto a isso.”
Em mensagens publicadas nas redes, Brian May criticou ferramentas de inteligência artificial e pediu medidas políticas para conter o avanço da tecnologia. Ele alertou que o desenvolvimento pode trazer custos elevados à sociedade e pediu ação às autoridades.
“Acredito que o preço que estamos prestes a pagar por esse desenvolvimento ‘inevitável’ é alto demais. Não podemos permitir que esses centros de dados horrorosos sejam construídos no Reino Unido. Eles vão destruir nosso belo país, como já estão destruindo os belos EUA. Caro Andy, você precisa parar com isso agora. Antes que seja tarde demais.”
A última turnê do Queen com Adam Lambert nos vocais foi a “Rhapsody Tour”, encerrada em fevereiro de 2024. Meses depois, Brian May sofreu um “pequeno derrame” e perdeu temporariamente os movimentos do braço esquerdo; ele disse, em entrevista na TV britânica, que teve sorte na recuperação e que episódios assim funcionaram como alerta.
“Essas coisas acontecem comigo, mas parece que consigo superá-las. Elas servem como um alerta.”
O guitarrista voltou aos palcos em 2025, ao participar como convidado no festival Coachella, quando fez uma aparição surpresa para tocar “Bohemian Rhapsody” no show de Benson Boone. No contexto das declarações, Brian May indicou que sua prioridade será a família e projetos pessoais, enquanto mantém a ideia de explorar novas formas de apresentar a música do Queen sem recorrer ao modelo tradicional de longas turnês.

Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
