Durante uma agenda na última quinta-feira, 29 de maio, em Caraguatatuba, litoral de São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin fez críticas contundentes ao clã Bolsonaro. Ele afirmou que a recente classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos é uma estratégia para desviar a atenção do caso de corrupção e sonegação envolvendo o Banco Master.
Alckmin declarou:
“Infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, ficam gerando factoides”
.
O vice-presidente também enfatizou que a medida adotada pelos Estados Unidos não trará soluções efetivas no combate ao crime e poderá prejudicar a economia brasileira. Ele criticou a abordagem americana, que, segundo ele, não resolve os problemas de segurança do país.
A decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras como terroristas foi anunciada na noite de 28 de maio, e coincidiu com um encontro entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República. No dia anterior, Flávio havia se reunido com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca, acompanhado de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Reportagens recentes revelaram mensagens de áudio de Flávio Bolsonaro, nas quais ele pede ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, recursos para a produção de uma cinebiografia de seu pai. Segundo informações, o banqueiro concordou em destinar R$134 milhões para o projeto, dos quais pelo menos R$61 milhões já teriam sido liberados.
Além disso, a nova administração de Donald Trump tem reorientado sua política externa em relação à América Latina, com foco no combate ao que é denominado de “narcoterrorismo”. Nos últimos meses, a intervenção militar dos EUA na região tem sido intensa, incluindo ações no Caribe sob a justificativa de combate ao terrorismo. A invasão da Venezuela no início do ano, que resultou na queda de Nicolás Maduro, também foi justificada com base nessa abordagem. Diante disso, o temor de que ações semelhantes possam ocorrer no Brasil, a partir dessa nova designação, se torna uma preocupação real.
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