Uma preocupação crescente tomou conta do estado de São Paulo após a internação de um homem de 37 anos no Instituto Emílio Ribas, na capital paulista. O paciente apresenta sintomas compatíveis com a doença do Ebola e aguarda resultados de exames que podem confirmar ou descartar o diagnóstico.
De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES), o caso foi registrado no último sábado, 30 de maio de 2026. O homem, natural da República Democrática do Congo, recente viajante para seu país de origem, começou a apresentar sintomas como febre intensa, que levantaram suspeitas sobre a infecção.
O surto de Ebola no Congo foi classificado como de importância internacional pela Organização Mundial da Saúde, o que aumenta a vigilância e as medidas de precaução em outros países, incluindo o Brasil. Apesar da gravidade da situação, a SES ainda não divulgou detalhes sobre o itinerário ou a data exata da viagem do paciente.
A análise do caso está sob a responsabilidade da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP). A coordenadora em Saúde da CCD, Regiane de Paula, enfatizou que o caso está em investigação e que as medidas necessárias foram imediatamente adotadas.
“As medidas previstas foram adotadas a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes”, destacou Regiane.
De acordo com os protocolos do estado de São Paulo, qualquer caso suspeito de Ebola deve ser comunicado de forma imediata à vigilância epidemiológica municipal e ao CVE. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas é a unidade de referência para o atendimento desses casos, enquanto o Instituto Adolfo Lutz fica responsável pelas investigações laboratoriais e diagnósticos diferenciais.
A secretária de Saúde, em nota, avaliou que o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul é considerado muito baixo. Ela explicou que essa avaliação leva em conta a ausência histórica de transmissão autóctone no continente, a falta de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul, além das características de transmissão da doença, que requer contato direto com fluidos corporais de pessoas sintomáticas.
A transmissão do Ebola só ocorre após o início dos sintomas, que incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em casos mais severos, a doença pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos.
O período de incubação da doença varia de dois a 21 dias, e, segundo a SES, não existem vacinas licenciadas ou terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual. Vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para uma cepa diferente, a Zaire, e não têm eficácia comprovada contra a variante atual. Recentemente, a OMS anunciou que estão em andamento testes de tratamentos e vacinas contra a doença.
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