Na manhã de 31 de maio de 2026, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Calama, um distrito de Porto Velho, em Rondônia, se tornou o ponto de encontro para centenas de pessoas que aguardavam as equipes da expedição Barco Ciência, Saúde e Cidadania. Essa iniciativa, que está em sua sexta edição, teve como objetivo proporcionar acesso a serviços de saúde e cidadania para as comunidades ribeirinhas da região.
A expedição, que ocorreu entre os dias 20 e 24 de maio, foi promovida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Conhecimento de Excelência da Amazônia Ocidental e Oriental (INCT-CONEXAO), em parceria com a faculdade Afya São Lucas. Mais de 100 profissionais, incluindo estudantes e pesquisadores, embarcaram em um barco que percorreu o Rio Madeira, levando atendimento e educação às comunidades de Calama, Nazaré e São Carlos.
Durante os primeiros dias, o barco atracou em Calama, onde reside a maior parte da população da região, composta por cerca de 2,3 mil pessoas. Dentre os atendidos estava Vânia Caetano dos Reis, uma agricultora familiar de 52 anos, que relatou a dificuldade de acessar serviços de saúde. Para chegar até o local de atendimento, Vânia levou mais de duas horas navegando e, antes disso, percorreu uma estrada de 12 quilômetros a cavalo.
“Para a gente vir no posto para fazer exame de malária, um exame comum, a gente tem que vir até Calama. É essa a dificuldade, sair de lá para ser atendida e, quando vem um barco desse, com todo tipo de exame e de consulta, a gente tem que aproveitar”, disse Vânia.
Vânia contou ainda que, na edição anterior, já havia realizado exames odontológicos e oftalmológicos, destacando a importância do acesso facilitado aos serviços. Nesta edição da expedição, os exames de vista foram os mais procurados, resultando em mais de 200 atendimentos oftalmológicos e a doação de 300 óculos de grau, em parceria com uma ótica local.
Outro relato foi da dona de casa Edna Miranda de Sousa, que trouxe sua neta, Bianca Sousa de Castro, de apenas 5 anos. Edna explicou que na sua comunidade não há posto de saúde, apenas uma escola. Ela buscou atendimento médico para verificar a saúde da neta e tratar de algumas queixas que a menina apresentava.
“Eu queria saber se ela está com anemia ou alguma coisa, fazer um acompanhamento médico”, revelou Edna.
O pró-reitor da faculdade Afya São Lucas, Wuelison Lelis de Oliveira, informou que a operação foi cuidadosamente planejada para atender a demanda das comunidades, incluindo triagens para identificar as necessidades de cada paciente. Os atendimentos abrangeram áreas como medicina, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, psicologia, entre outros.
A expedição Barco Ciência, Saúde e Cidadania demonstra o compromisso de levar saúde e cidadania a todos, especialmente às populações que enfrentam dificuldades para acessar os serviços básicos.

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