Na última terça-feira, 02 de junho de 2026, o governo brasileiro fez uma declaração contundente em resposta à conclusão preliminar da investigação iniciada pelos Estados Unidos, embasada na Seção 301 da legislação comercial americana. Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, foi afirmado que não existem justificativas para medidas unilaterais contra o Brasil e que a investigação constitui uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.
O governo brasileiro questionou os argumentos apresentados pelos EUA, sugerindo que a apuração estaria ligada a articulações envolvendo a família Bolsonaro junto às autoridades americanas. A nota ressalta que tais iniciativas visam prejudicar os interesses econômicos brasileiros durante as negociações comerciais entre as duas nações.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington,” destacou o comunicado.
A mensagem foi emitida após uma reunião de emergência entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e diversos ministros, incluindo os das pastas do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Comunicação Social, Fazenda, Planejamento e Orçamento, e Relações Institucionais. O embaixador Mauricio Lyrio também participou, representando o ministro das Relações Exteriores.
O governo brasileiro enfatizou que a investigação não se sustenta nos números do comércio bilateral e que os Estados Unidos têm registrado superávit nas relações comerciais com o Brasil há vários anos. Entre 2011 e 2025, o saldo positivo dos EUA em relação ao Brasil foi de US$ 424,5 bilhões, com um superávit de US$ 40,5 bilhões apenas em 2025.
Além disso, a nota destacou que o mercado brasileiro está amplamente aberto aos produtos americanos, com 76% das importações vindas dos EUA entrando no país sem imposto de importação em 2025. O governo ainda afirma que oito dos dez principais produtos adquiridos dos Estados Unidos não possuem tarifa efetiva.
Outro ponto controverso da investigação é a inclusão do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como PIX. O governo brasileiro defendeu que o PIX é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central, com regras aplicadas igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. A nota ressaltou que não há restrições para empresas de tecnologia dos Estados Unidos no Brasil, que participam normalmente do ecossistema de pagamentos digitais.
O governo também abordou outras alegações dos EUA, afirmando que a legislação brasileira contra corrupção é robusta e que o país participa ativamente de mecanismos internacionais de combate a práticas ilícitas. Na área de propriedade intelectual, o Brasil destacou que os Estados Unidos são os maiores beneficiários do sistema de patentes brasileiro.
Com relação ao comércio de biocombustíveis, o governo brasileiro afirmou que seu programa permite a participação de produtores estrangeiros em igualdade de condições e criticou as tarifas aplicadas pelos EUA sobre o etanol e o açúcar brasileiros. Além disso, o governo reafirmou seu compromisso em zerar o desmatamento até 2030 e destacou a redução significativa da devastação na Amazônia Legal.
Apesar das críticas e da tensão gerada pela investigação, o governo brasileiro reafirmou que as negociações com os Estados Unidos continuam. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump estabeleceram um acordo para dar continuidade às conversas, na esperança de encerrar a investigação antes de sua conclusão, prevista para 15 de julho.
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