Com mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar nas eleições de outubro, 23% desse total são pessoas com mais de 60 anos, constituindo o maior eleitorado idoso já registrado no país. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o número de idosos com título de eleitor ativo cresceu cerca de 74% desde 2010, totalizando mais de 36,8 milhões de eleitores nessa faixa etária.
A Doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, destaca que esse crescimento transforma os eleitores idosos em um segmento decisivo para candidaturas competitivas em nível nacional. Ela aponta que “o envelhecimento do eleitorado tende a aumentar a importância de temas como saúde pública, acesso a medicamentos, previdência, assistência social, segurança, mobilidade, cuidado de longa duração e custo de vida”. Essas questões impactam diretamente a população idosa e suas famílias, especialmente aquelas responsáveis pelo cuidado de parentes mais velhos.
A cientista política ressalta que, embora a idade possa estar relacionada a posições mais conservadoras em algumas questões, isso não implica que os eleitores idosos votem exclusivamente em candidatos de uma determinada esfera política. “Há maior preocupação com políticas públicas, proteção social, previdência, saúde e estabilidade de renda. Esses eleitores têm experiência direta com o Sistema Único de Saúde, aposentadorias, pensões e outros serviços estatais”, afirma Goulart.
“Quero uma pessoa íntegra em todos os cargos”, diz Antonieta, 96 anos.
No Rio de Janeiro, a história de Antonieta da Silva Campos, de 96 anos, exemplifica essa participação. Ela se lembra de sua primeira eleição, quando ajudou a eleger Getúlio Vargas nos anos 50. Antonieta afirma que, ao escolher um candidato, valoriza a honestidade e a trajetória do político.
Além disso, a participação das mulheres no eleitorado idoso também é significativa. Segundo o Censo de 2022, as mulheres representam 54% das pessoas entre 60 e 69 anos, 57,8% das com 70 anos ou mais, e até 67,4% entre aquelas com pelo menos 90 anos.
Por outro lado, o desafio da abstenção é real. Atualmente, cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos estão aptos a votar, mas na última eleição, 8 milhões desse grupo não compareceram às urnas, resultando em quase 60% de abstenção. Ivalda Barbosa, de 76 anos, é um exemplo de quem decidiu aposentar o título de eleitor, relatando que sua participação política não foi estimulada ao longo da vida.
Para diminuir essa abstenção, Mayra Goulart sugere que haja um aumento de conteúdos direcionados à população idosa, com linguagem e formatos apropriados. “É possível reduzir a abstenção, mas isso depende de um esforço de mobilização específico para esse grupo e da redução das barreiras concretas ao comparecimento”, conclui a pesquisadora.
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