A piora no cenário inflacionário não impediu o Banco Central (BC) de continuar a sua trajetória de redução da taxa de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou o recente corte na Selic, que agora está em 14,25% ao ano, enfatizando que as “melhores práticas” de política monetária recomendam não reagir integralmente a variações de preços resultantes de choques de oferta, que são eventos inesperados.
A decisão foi divulgada na ata da última reunião do Copom, realizada na semana passada, onde ocorreu um corte de 0,25 ponto percentual. Este é o terceiro corte consecutivo desde março, após um período em que a Selic se manteve em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.
Segundo o documento, essas flutuações de preços estão cercadas de incertezas significativas, especialmente em relação às pressões do conflito armado no Oriente Médio sobre os preços globais de petróleo e combustíveis, além dos impactos climáticos previstos do fenômeno El Niño.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz a ata.
Em maio, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi pressionada pelo aumento dos preços dos alimentos, fechando em 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, já fora da meta de inflação estabelecida, que varia de 1,5% a 4,5%.
A autoridade monetária ressaltou que o atual cenário inflacionário de curto prazo é desafiador e tem sido pressionado por leituras mais altas do IPCA corrente. Entretanto, o Banco Central enfatizou que a adoção de trajetórias de Selic menos discrepantes em relação às projeções dos analistas de mercado é mais apropriada, pois evita a indução de volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e nos agregados macroeconômicos.
A previsão do mercado financeiro para o IPCA é de 5,33% para este ano e 4,15% para 2027. Durante a reunião, o Copom discutiu simulações que contemplavam diferentes combinações de momentos de pausa e retomada do ciclo de juros, buscando garantir a convergência da inflação para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o BC.
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