Camponeses, indígenas e trabalhadores mantêm mais de 80 bloqueios nas estradas bolivianas. Líderes sociais são presos enquanto o povo clama por justiça e dignidade.
Na Bolívia, as manifestações já chegam ao 36º dia, com mais de 80 bloqueios em rodovias por todo o país. As protestos, que iniciaram por descontentamento com a qualidade do combustível, se intensificaram após a promulgação de uma lei sobre terras que, segundo os manifestantes, favorece o agronegócio em detrimento dos pequenos proprietários. As manifestações reúnem diversos setores da sociedade, incluindo camponeses, indígenas, professores e mineiros, que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que está no cargo há apenas seis meses.
As autoridades bolivianas estão realizando prisões de líderes de protesto, o que gerou reações de organizações sociais locais, que qualificam essas ações como “sequestros”. Entre os detidos estão a ex-senadora Simone Quispe, além de Justino Apaza e Yesenia Varga, líderes de movimentos sociais. As acusações contra eles incluem “terrorismo” e “instigação pública para delinquir”. A Procuradoria também solicitou a prisão de outros dirigentes, mas alguns pedidos foram revogados pelo judiciário boliviano.
Os bloqueios nas rodovias têm gerado desabastecimento em várias regiões do país, resultando na escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos. Segundo a Administradora Boliviana de Rodovias (ABC), há 81 bloqueios registrados, especialmente nas proximidades da capital, La Paz, e em estados como Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca. O clima de tensão se agrava com o aumento da inflação e a carestia dos alimentos, fatores que têm contribuído para o descontentamento popular.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, manifestou apoio ao governo de Rodrigo Paz, alertando que a Bolívia não deve retornar a um estado de domínio narco-terrorista. O governo boliviano busca criminalizar os protestos, associando-os ao narcotráfico, o que levanta preocupações sobre uma possível intervenção externa, embora essa possibilidade ainda seja considerada improvável por especialistas.
As renúncias de ministros do governo, como os da Defesa e da Educação, em meio à pressão popular, refletem a instabilidade do atual governo. A situação permanece incerta, e as mobilizações continuam, com os grupos sociais afirmando que não desistirão até que suas demandas sejam atendidas. O Congresso, por sua vez, está discutindo novas legislações relacionadas ao estado de exceção, intensificando o debate sobre a resposta do governo aos protestos.

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