No dia 8 de julho de 2026, camelôs de diversas regiões do Rio de Janeiro realizaram uma manifestação em frente à sede da Prefeitura, em protesto contra as novas medidas anunciadas para intensificar o ordenamento urbano na orla da zona sul. Os ambulantes expressaram suas preocupações em relação ao programa que visa combater o comércio irregular e a ocupação do espaço público. Com faixas e palavras de ordem como “Nós queremos trabalhar”, os manifestantes solicitaram um diálogo direto com o prefeito Eduardo Cavaliere.
O protesto aconteceu logo após a prefeitura divulgar o Programa Tolerância Zero, que será implementado a partir do dia 16 de julho. Este programa prevê uma fiscalização contínua em áreas como Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, com o objetivo de desarticular redes ligadas ao crime organizado que exploram pontos comerciais de forma ilegal. Segundo a administração municipal, a ação não se destina a afetar os trabalhadores que possuem autorização para atuar.
“O objetivo é combater a exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado. Vender produto de origem ilegal ou alugar equipamento com origem criminosa é crime. Quando você não tem legalização, você não pode desempenhar nenhuma atividade econômica no espaço público”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere durante o lançamento do programa.
O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, destacou que a operação será permanente e baseada em ações de inteligência em colaboração com as forças de segurança. “Identificamos mais de mil pontos de venda explorados ilegalmente e teremos fiscalizações diárias, patrulhamento ostensivo e apreensão de mercadorias irregulares”, declarou.
Durante a manifestação, alguns camelôs relataram que a categoria tem sido injustamente associada ao crime organizado. Marcos da Silva, um vendedor ambulante com mais de 20 anos de experiência em Copacabana, disse: “Nunca presenciei cobrança de taxas por criminosos para trabalhar no calçadão. Se existe alguém fazendo coisa errada, que investiguem e tirem quem está errado. Mas deixem o trabalhador trabalhar”.
Outra participante, Jéssica Bárbara Cavalcanti, que vende roupas nas proximidades da Escadaria Selarón, revelou que está há cerca de 20 dias sem conseguir trabalhar. “Tenho três filhos para sustentar. A gente quer legalizar nossa situação, mas não consegue resposta”, lamentou.
A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, também se manifestou. Ela defendeu que a fiscalização é necessária, mas ressaltou a importância de avançar na regularização dos trabalhadores que estão à espera de autorização. “Se existe alguém cometendo irregularidade, que retire quem está errado, não toda uma categoria”, afirmou.
O Programa Tolerância Zero, instituído por decreto municipal, estabelece uma política contínua de fiscalização do comércio irregular na orla carioca, coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). A iniciativa conta com o apoio da Guarda Municipal e das forças estaduais de segurança. Entre as medidas estão a apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e o monitoramento por drones e câmeras.
A prefeitura informa que comerciantes regularmente autorizados poderão continuar suas atividades normalmente e que estão em desenvolvimento alternativas para a legalização do trabalho ambulante, além de programas de qualificação profissional e geração de empregos.
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