Em meio à crescente tensão internacional, o assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, fez declarações firmes sobre a recente classificação de organizações narcotraficantes do Brasil como terroristas pelos Estados Unidos. Em sua viagem a Moscou para participar do Fórum Internacional de Segurança, Amorim manifestou que o uso de um “pretexto para intervenção é inaceitável”.
O embaixador ressaltou a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado, desde que essa colaboração respeite a soberania das nações. Segundo ele, “crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”.
No discurso de abertura do Fórum, Amorim abordou a questão da classificação de narcotraficantes como terroristas, afirmando que “o crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, no entanto, não ajuda. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todos os tipos de crime”.
O governo brasileiro tem se oposto à equiparação do narcotráfico ao terrorismo, destacando que essa classificação pode ser utilizada como justificativa para intervenções externas indesejadas. Especialistas em relações internacionais, terrorismo e segurança pública alertam que essa categorização expõe o Brasil à possibilidade de intervenções por parte dos EUA.
Na história recente, ações dos EUA na América Latina, como o cerco a Cuba e a invasão da Venezuela, foram justificadas com a alegação de combate ao terrorismo e ao narcotráfico. Por exemplo, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi acusado de liderar uma suposta organização narcotraficante, sendo rotulado como um “narco Estado”, uma classificação que é amplamente contestada por especialistas.
Após a captura de Maduro em Caracas, os EUA recuaram na associação de seu governo ao suposto Cartel de Los Soles, que é questionado em sua condição de facção criminosa. Da mesma forma, Cuba é frequentemente classificada pelos EUA como um “país que apoia o terrorismo”, uma alegação que a maioria da comunidade internacional rejeita por falta de evidências. Essa classificação tem sido utilizada para justificar o bloqueio econômico e energético que a ilha enfrenta, resultando em graves problemas sociais para sua população de quase 11 milhões de habitantes.
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