Fórum das Centrais inicia mobilização neste fim de semana para antecipar a votação da PEC 221/2019 antes do 1º turno de 2026. As ações estaduais buscam extinguir a escala 6×1 e reduzir a jornada a 40 horas.
As principais centrais sindicais do país articulam pressionar senadores em cada unidade da federação para antecipar a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que extingue a escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso (6×1) e reduz a jornada para 40 horas semanais.
Com início neste fim de semana, o movimento pretende que a PEC seja votada antes do primeiro turno das eleições de 2026. A mobilização foi definida em reunião do Fórum das Centrais Sindicais, que reúne as seis principais entidades sindicais do país. A reunião foi convocada após o anúncio de que a votação da proposta ficaria para depois das eleições.
Os dirigentes sindicais decidiram intensificar ações presenciais e digitais: panfletagens em centros comerciais — onde a escala 6×1 é mais comum — mobilização nas redes sociais e construção de novos protestos de rua. As centrais também planejam solicitar audiência com o presidente do Senado para defender a votação da PEC antes do primeiro turno e para denunciar parlamentares contrários à redução da jornada.
“Os empresários falam que querem que vote depois da eleição porque sabem que o senador vai trair o povo. Fala que vota a favor do povo e, no dia seguinte, trai a população. É isso que nós vamos denunciar”,
Essa declaração foi feita ao jornal pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que avaliou ser possível antecipar a votação se houver forte pressão popular.
“Se os senadores forem cobrados nos estados, eles vão querer resolver essa situação. Eles vão ter que responder isso nas ruas. Vamos colocar o povo para cobrar. Vai pedir voto? Cadê a 6×1 primeiro?”
O presidente da Força Sindical reagiu ao adiamento da votação e afirmou que o gesto representou surpresa negativa para os trabalhadores, observando que mais de 70% da população seria favorável à PEC.
“Nos parece desleal com os trabalhadores que vão votar na eleição. Como passou o primeiro turno, não há mais preocupação com os votos e aí eles podem atender outros interesses que não os da grande massa da população”,
O diretor da executiva da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) manifestou a expectativa de que a votação poderia ter ocorrido nesta semana. Já o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) lembrou que a redução da jornada para 40 horas é uma demanda histórica dos trabalhadores.
“Tivemos uma vitória extraordinária na CCJ, onde apenas quatro senadores foram contrários e todos eles não vão disputar eleição agora. Temos a expectativa de falar com Alcolumbre e resolver isso”,
As centrais sustentam que a PEC traz benefícios à qualidade de vida e à saúde mental dos trabalhadores, além de argumentar que os custos da redução da jornada seriam pequenos e passíveis de absorção pelas empresas, citando como referência a redução da jornada de 48 para 44 horas ocorrida em 1988.
Por outro lado, confederações patronais têm se manifestado contra a proposta, alegando aumento de custos e riscos à economia. Estudos sobre os impactos na inflação e no Produto Interno Bruto divergem. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo pediu o adiamento da votação para depois das eleições, defendendo que mudanças constitucionais nas relações de trabalho exijam análise técnica, diálogo e previsibilidade.
“Mudanças constitucionais nas relações de trabalho exigem análise técnica, diálogo e previsibilidade. Não é uma discussão que deva ser conduzida sob a pressão do calendário eleitoral, mas sim em um ambiente que permita avaliar com responsabilidade seus impactos em empresas, empregos e trabalhadores”,
A reportagem procurou a assessoria do presidente do Senado para comentar o tema, mas não obteve retorno. Inicialmente havia expectativa de que a PEC seguisse para o plenário logo após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na última quarta-feira (2).
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