Aos 34 anos, a cantora ganhou destaque com Brat, álbum que levou um Grammy, e agora divulga Music, Fashion, Film, de influência rock. Em turnê, mantém postura conceitual e prioriza sua visão artística.
Aos 34 anos, depois de mais de uma década contribuindo para o pop a partir de sua periferia, Charli xcx ganhou destaque em 2024 com o álbum Brat, obra que levou um Grammy e elevou a artista ao posto de atração principal em arenas. Atualmente, ela divulga Music, Fashion, Film, seu álbum de julho com influência do rock, e segue em turnê: a etapa norte-americana será encerrada em outubro e a circulação seguirá pela Europa em fevereiro.
Para a turnê, Charli mantém uma postura conceitual e intransigente, apostando fortemente no repertório de Brat e Music. A cantora afirma priorizar sua própria visão artística em apresentações, mesmo quando isso desafia expectativas do público em grandes festivais e arenas.
“Eu não me apresento para agradar ninguém além de mim mesma”
“Talvez essa não seja a postura que todo mundo adota, mas é a que eu adoto.”
Ao falar da estreia do espetáculo como atração principal em um festival de grande porte, Charli descreveu a experiência como intensa e empolgante. Ela comentou a tensão entre atender a expectativas e manter fidelidade à visão do álbum, e afirmou que prefere usar esses palcos para apresentar sua proposta mais pura como artista.
“Foi algo muito intenso, para ser sincero, e realmente empolgante. Acho que existe aquela batalha interna contra a voz que dita o que as pessoas talvez esperem de você, em contraste com a visão artística do que é fiel ao álbum; felizmente, essa voz nunca falou mais alto. Havia a possibilidade de tocar músicas do meu repertório que todo mundo certamente conhece — mas não tenho mais tanto interesse em fazer isso.”
Sobre a concepção do show, Charli disse que a equipe trabalhou para criar uma atmosfera cinematográfica, explorando tanto o maximalismo possível em arenas quanto momentos de contenção, de modo que efeitos pirotécnicos e visuais tenham impacto.
“Em uma arena, você pode apostar no maximalismo. Pode usar todos os recursos e efeitos visuais de uma vez só. Mas acho que o diferencial do nosso show foi justamente exercer certa contenção; assim, quando chega o momento dos efeitos pirotécnicos, eles realmente se destacam.”
Ao comentar sobre etapas que queria realizar no espetáculo, Charli afirmou que, ao chegar mais próximo do show dos seus sonhos, passou a reinvestir recursos para criar um espetáculo artisticamente desafiador. Ela lembrou o início da carreira, quando se apresentava com um iPod em palcos improvisados.
“Sim, praticamente tudo. [Risos.] Como artista, construí minha carreira do zero — eu costumava me apresentar com um iPod em um palco improvisado; essa era toda a minha produção.”
Charli também falou sobre sua equipe criativa, citando a parceria com a diretora criativa Imogene Strauss, o produtor A. G. Cook e o diretor musical Mitchell Snyder. Ela destacou a contribuição do coreógrafo Eric Christensen, com experiência no universo da moda, e descreveu o trabalho no show como semelhante à produção de um álbum de remixes, em que se reavaliam e reposicionam pistas e trechos sonoros.
“Trabalhei lado a lado com a [diretora criativa] Imogene Strauss — que é, essencialmente, uma das minhas melhores amigas — na criação de várias das minhas turnês. Ela entende o que quero dizer, e eu entendo o que ela quer dizer. Temos uma espécie de linguagem abreviada que nos permite chegar à essência de uma ideia muito rapidamente.”
O material visual do álbum Music, Fashion, Film traz ainda referências a nomes como John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese. Charli explicou que suas inspirações vieram mais de tableaux e pinturas do que de turnês, citando obras de Caravaggio e a força transmitida por atrizes como Béatrice Dalle. A presença de um monólogo de David Cronenberg no álbum e a repetição da frase “o esquecimento é a liberdade” aparecem como elementos que dialogam com a forma como ela enxerga a performance ao vivo.
“Para mim, apresentar-se ao vivo é algo muito físico, às vezes muito doloroso. Eu simplesmente preciso me entregar, deixar as inibições de lado e quase entrar em outro estado — o que pode soar pretensioso para algumas pessoas, mas tudo bem.”
Aturnê e as escolhas artísticas seguem como prioridade para a cantora, que busca desafiar tanto a si mesma quanto o público em cada apresentação.

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