A confiança dos empresários da indústria brasileira atinge, em julho de 2026, o menor nível desde o auge da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) apresenta uma queda de 2,3 pontos em relação ao mês anterior, passando de 46,7 para 44,4 pontos, conforme levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Com essa queda, o indicador permanece há 19 meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos, que representa a divisão entre confiança e falta de confiança. Esse período de pessimismo é considerado a segunda maior sequência na série histórica, perdendo apenas para a recessão econômica que ocorreu entre 2015 e 2016.
O prolongamento do pessimismo, segundo a CNI, pode impactar diretamente a atividade industrial no Brasil. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da entidade, destacou que essa situação pode levar à redução do ritmo de produção, à diminuição dos investimentos e a consequências no mercado de trabalho.
“Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos”, afirmou Azevedo.
Em julho, os dois componentes que formam o Icei também apresentaram queda. O Índice de Condições Atuais recuou 0,7 ponto, atingindo 41,6 pontos, indicando que os empresários avaliam que o ambiente de negócios e a economia estão em condições piores do que há seis meses. Por outro lado, o Índice de Expectativas apresentou uma queda de 3,1 pontos, indo para 45,8 pontos, o que representa o maior recuo desde novembro de 2022. Essa diminuição do otimismo em relação às próprias empresas se reflete em uma percepção ainda mais negativa sobre a economia brasileira.
A CNI relaciona a deterioração das expectativas a um aumento das incertezas no cenário internacional. Entre os fatores que influenciam essa percepção estão os conflitos em acirramento no Oriente Médio e a possibilidade de que os Estados Unidos retomem tarifas sobre produtos brasileiros. Esses elementos têm aumentado a percepção de risco entre os empresários.
“A piora das expectativas se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, avaliou Marcelo Azevedo.
O Icei varia de zero a 100 pontos, onde resultados abaixo de 50 indicam falta de confiança entre os empresários industriais, enquanto índices acima desse patamar sinalizam confiança. Para a edição de julho, a CNI ouviu 1.118 empresas entre os dias 1º e 7 de julho, incluindo 442 de pequeno porte, 411 de médio porte e 265 de grande porte.
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