A ata do Copom, divulgada em 11/08/2026, aponta desaceleração da inflação, mas alerta para riscos e expectativas ainda elevadas. O Banco Central afirma que reduzir a Selic a 14% está alinhado à convergência para a meta.
A ata da reunião em que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 14% ao ano revela um cenário de desaceleração da inflação, embora ainda repleto de incertezas. O documento, divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026, indica que as expectativas inflacionárias permanecem elevadas, em um contexto que envolve diversos riscos.
O Copom considera que a redução da taxa Selic é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”. Além de buscar a estabilidade de preços, a decisão também tem como objetivo atenuar oscilações na atividade econômica e favorecer o pleno emprego. No entanto, o comitê ressalta que a atual situação exige prudência.
A ata conclui que a política monetária tem desempenhado um papel importante no processo de desinflação, mas alerta que a inflação continua sob pressão devido à demanda. Por essa razão, o Banco Central acredita que os juros ainda precisam se manter em um nível restritivo.
Em relação às projeções, o cenário de referência utilizado pelo Banco Central considera as expectativas do Boletim Focus. A taxa de câmbio parte de R$ 5,10 por dólar e se ajusta conforme a paridade do poder de compra.
Sobre a inflação e a política fiscal, o documento afirma que a inflação ao consumidor desacelerou nas últimas leituras, mas ainda está acima do limite superior da meta estabelecida. Já os preços ao produtor mostraram um recuo, influenciado principalmente pelo desempenho da indústria extrativa, que abrange a obtenção de recursos naturais como minérios e petróleo.
Os diretores do Banco Central alertam que o crescimento do crédito direcionado e as incertezas quanto à estabilização da dívida pública podem pressionar as taxas de juros da economia. No âmbito internacional, a ata destaca que as incertezas continuam altas, com preocupações relacionadas aos desdobramentos de conflitos no Oriente Médio e à condução da política monetária em economias avançadas.
O comitê observa um ambiente caracterizado por volatilidade nos preços de ativos financeiros e commodities, o que exige cautela por parte dos países emergentes. Além disso, chama atenção para as incertezas em relação à política econômica dos Estados Unidos, que contribuem para o cenário internacional instável.
No cenário interno, o Copom percebe sinais de moderação gradual na atividade econômica desde a última reunião. Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho permanece aquecido, com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, embora o crescimento da ocupação esteja perdendo ritmo. Os rendimentos médios dos trabalhadores, embora tenham apresentado uma desaceleração, ainda crescem em termos reais a uma taxa superior à produtividade do trabalho, segundo a avaliação do Copom.
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