O Banco Central reduziu a Selic para 14,25%, mas CNI e CUT rejeitaram a medida. Para as entidades, o ajuste é insuficiente e não alivia o peso dos juros sobre famílias e investimentos.
A recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passou de 14,50% para 14,25% ao ano, foi considerada insuficiente por importantes entidades do Brasil, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Essas organizações expressaram a preocupação de que o corte nos juros não é capaz de reverter o cenário de estagnação dos investimentos e não atende às necessidades urgentes da população brasileira.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a decisão nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, mas as reações das entidades foram imediatas. A CNI, em especial, argumentou que a redução não contribui para aliviar a asfixia financeira que afeta tanto as empresas quanto as famílias. O presidente da CNI, Ricardo Alban, declarou:
“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria.”
Alban também ressaltou que a manutenção de juros elevados prejudica o orçamento das famílias e do governo, dificultando a recuperação do consumo e dos investimentos. Ele acredita que, com o recente acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra, há espaço para o Banco Central intensificar o ciclo de cortes na Selic em sua próxima reunião.
“O provável fim do conflito já impacta na queda do preço do petróleo, que vinha pressionando os custos das cadeias produtivas globais,”
completou.
A CUT, por sua vez, manifestou que a redução é tímida e não atende às demandas do povo brasileiro. A central sindical criticou a política monetária do Banco Central, afirmando que ignora os sinais positivos da economia nacional e a recente queda nos preços do petróleo. Em comunicado, a CUT afirmou:
“Manter os juros nesse patamar absurdo continua sufocando o setor produtivo, encarecendo o crédito e penalizando diretamente a classe trabalhadora.”
A CUT também apontou que a redução de 0,25 pontos na taxa de juros evidencia os limites do atual modelo de autonomia do Banco Central, que, segundo eles, mantém o país refém da especulação financeira.
“Taxas de juros reais tão elevadas drenam recursos públicos que deveriam financiar a saúde, a educação e a infraestrutura,”
disse a entidade.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também se manifestou sobre a nova taxa Selic. Embora considere a redução positiva, a CBIC enfatizou que é necessário que esse movimento prossiga. A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, destacou que o nível atual de juros ainda representa desafios para a atividade econômica e a recuperação dos investimentos.
“A continuidade do processo de flexibilização monetária é uma sinalização positiva para a economia,”
afirmou Ieda.
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